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quinta-feira

13

junho 2013

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Ensaio fotográfico busca na confusão dos reflexos um novo olhar sobre a França

Escrito por , Postado em Arte Contemporânea, Fotografia Digital

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Um dos textos mais conhecidos de Walter Benjamin é “Passagens”: um misto de reportagem, romance e ensaio filosófico sobre as transformações causadas pela urbanização na Cidade-Luz,  na passagem do século XIX para o XX, com destaque para o surgimento das galerias que, com suas vitrines, prenunciavam a confusão de imagens à qual nossas retinas estão hoje habituadas.

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O mais novo trabalho fotográfico de Karla Vidal demonstra que as reflexões benjaminianas continuam atuais. O ensaio, intitulado Reflexos, retrata paisagens de Paris, Nancy e Estrasburgo e pode ser visto no blog da Pipa Comunicação: http://pipacomunicacao.blogspot.com.br/2013/06/reflexos.html.

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É uma obra que para chegar aos olhos do espectador é, antes, filtrada por três lentes: o olho da fotógrafa, a lente da câmera e superfícies polidas – como vitrines, espelhos e janelas – convidadas pela criatividade da jovem a também se tornarem lentes.

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A premissa de Benjamin era a de que a modernidade funcionava como um tipo de vitrine, cujo reflexo é um amálgama entre o passado e o futuro, entre o interior e o exterior. Daí, a confusão que experimentamos em todas as instâncias, incluindo o afeto. Isso devido à angústia não sabermos muito bem onde começa o eu e onde termina o outro, ou vice-versa.

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“Mas, se a confusão dos reflexos é, por um lado, angustiante, por outro é curiosa, instigante e divertida. O exercício de brincar de ver o mundo com auxílio de lentes diversas é também uma forma de descondicionar nosso olhar adulto, convidando-o a ser algo entre a inocência da criança e a sabedoria dos mais velhos”, reflete Karla Vidal.

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Foram feitos cliques ao ar livre, através das janelas de ônibus e do popular bateau-mouche, em lugares fechados como o museu do Louvre e em lugares semi-abertos ou semi-fechados a exemplo da Torre Eiffel. O recorte do ensaio fotográfico transitou entre grandes paisagens e momentos intimistas como o jantar em restaurantes franceses, retratando a vida dos franceses sob diferentes ópticas como a arte, o comércio, o trânsito e a gastronomia.

Texto de Cláudio Eufrausino

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