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terça-feira

31

julho 2012

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Artemídia: a gente se importa?

Escrito por , Postado em Destacadas, Mercado da Arte Digital

rafael-rozendal

A notícia começou a circular há alguns meses, mas somente agora começamos a ver as consequências devastadoras. No início de abril, o Netherlands Media Arts Institute (NIMk) de Amsterdã anunciou o fechamento do instituto e o fim de suas atividades, dado os cortes no setor cultural tornados públicos pelo governo em junho do ano passado, e em efeito imediato a partir de janeiro de 2013.

Rafael Rozendaal – Yes For Sure – 2010

A política do novo ministro da cultura holandês, Halbe Zijlstra, se demonstrou severa sobretudo no que diz respeito às instituições de artemídia: dessa forma, de por um lado o Netherlands Media Arts Institute perdeu 100% de financiamentos do governo, os grandes museus e os artistas mais prestigiados continuam a ter grande suporte, com cortes mínimos não superiores a 5%. Esta é a principal anomalia, bem explicada pela curadora do NIMk Petra Heck: “As decisões não apenas foram feitas com base ao conteúdo, mas à função e ao meio. Para eles, a artemídia tem adiante dois caminhos: se tornar comercial e ser absorvida pelas indústrias criativas e/ou ser colecionada e exibida nos museus”.

Netherlands Media Arts Institute – Amsterdam

Depois de ter reagido com uma iniciativa de protesto (intitulada, significativa, Media Art, We Care), o NIMk começou a se reestruturar na tentativa de dar continuidade ao trabalho iniciado em 1978 (quando surgiu como MonteVideo) e que deu vida, ao longo do tempo, a uma coleção de outras 2.000 peças de artistas de todo o mundo. Mas o futuro ainda é incerto para a nova fundação que surgirá das cinzas do NIMk e para as numerosas instituições que, nesse tempo, fizeram da Holanda um dos polos principais da pesquisa artística em novas mídias, desde V2_ a Mediamatic.

Uma pesquisa que, por motivos evidentes de radicalidade formal, sempre se apoiou em instituições e fundos públicos e que, nesta incerta década de crise, se vê forçada a fazer as contas com o mercado e o mundo da arte, não só na Holanda. Estaremos prontos para isso? O que se perderá na transição? Dependerá, em grande parte, da quantidade de pessoas que terão vontade de dizer: “Media Art, We Care”.

* Texto “Media Art, do we care?” de Domenico Tarantino, publicado em Artribune Magazine, em 31 de julho de 2012.

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