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quarta-feira

20

março 2013

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Biotecnologia como forma de arte

Escrito por , Postado em Arte Contemporânea, Bioarte, Destacadas

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Victimless Leather, de Tissue Culture & Art Project (Oron Catts and Ionat Zurr), 2004.

Culturas de tecidos, modificação genética, colônias bacterianas. Durante a última década, mais e mais artistas tem usado a biotecnologia para a criação e transformado laboratórios em estúdios de arte.

Na primavera de 2008, a curadora Paola Antonelli foi forçada a matar uma obra de arte exposta no Museu de Arte Moderna de Nova York. A obra Victimless Leather (2004), de Oron Catts e Ionat Zurr, era uma peça formada de células vivas que foram se multiplicando tão rapidamente que, com as cinco semanas de exposição, já ameaçavam entupir o sistema de incubação que os mantinham vivos. Antonelli teve de cortar o fornecimento de nutrientes, embora isso tenha lhe custado mundo.

Os artistas de bioarte não buscam representar simplesmente a criação de representações metafóricas de conceitos científicos. Buscam empregar técnicas científicas reais em sua arte, tais como a criação de híbridos e a manipulação de organismos. “Após a idade de robótica e tecnologia digital, a nova mídia é a biotecnologia”, afirmou Jens Hauser, curador que organizou exposições de bioarte no Muffatwerk em Munique e no Centro Nacional de Arte Contemporânea em Nantes, na França. As obras criadas levantam sérias questões sobre a natureza da vida.

Os artistas, dessa forma, tem transformado laboratórios em estúdio de arte. Mas, ao contrário dos laboratórios acadêmicos ou comerciais, alguns espaços tem sido criados para focar-se em projetos vinculados a uma dada necessidade. São os casos de SymbioticA, da Universidade da Austrália Ocidental, em Perth; Nature and Technology Lab, do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Artes Visuais de Nova York; o Genspace, no Brookly, que permite o uso do laboratório por artistas por pago de pequena taxa mensal.

Muitos são os artistas que exploram o mircomundo para a criatividade. Entre eles estão, Joe Davis, George Gessert, Brandon Ballengee, Eduardo Kac, Orlan, Stelarc, Paul Vanouse, entre outros. Muitos desses artistas já são representados por galerias comerciais: Orlan trabalha com várias galerias, incluindo a Stux, em Nova York. Suas obras alcançam preços entre 9.000 e 60.000 dólares). Ballengee é representado pela Ronald Feldman Fine Arts, em Nova York, e pela Nowhere Gallery, em Milão (seus trabalhos são negociados entre 6.000 e 125.000 dólares).

* Uma leitura do panorama atual da bioarte é apresentado por Carolina A. Miranda, no artigo Weird Science: Biotechnology as Art Form, publicado em ARTnews, em 18 de março de 2013.

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