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sexta-feira

29

julho 2011

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13 anos após Eduardo Kac apresentar o projeto “GFP K-9″, cientistas anunciam a criação de cachorro fluorescente

Escrito por , Postado em Estéticas Tecnológicas, Próxima Natureza

cachorros fluorescentes

Em 1998, durante um evento do Ars Electronica, o artista Eduardo Kac apresentou o projeto GFP K-9 o que gerou grande espanto do público presente. Kac propunha a criação de um cachorro transgênico que pudesse ser integrado ao convívio social e, posteriormente ao lar do artista. Ele desejava realizar sutis alterações fenotípicas no animal e mudar a cor de sua pele a partir da inserção do GFP (Green Fluorescent Protein - Proetína Verde Fluorescente), proteína encontrada na água viva Aequorea Victoria que, por sua vez exposta à luz azul, emite coloração verde. O projeto, no entanto, não veio a ser concluído por problemas no mapeamento do código genético do cachorro.

Anos se passaram e a criação de peixes, ratos, porcos fluorescentes em laboratórios já não são uma novidade. E nem mesmo na arte. Em 2000, o próprio Eduardo Kac anunciou o nascimento da coelha fluorescente Alba como parte do projeto GFP Bunny que compreenderia três etapas: a geração de um coelho verde fluorescente; o diálogo público gerado pelo projeto após o anúncio do nascimento de Alba e a integração social do animal. A criação da coelha se deu pelo mesmo processo previsto e descrito no projeto GFP K-9. Em condições naturais a coelha permaneceria completamente branca e com olhos cor-de-rosa. Quando iluminada com luz azul, reluziria com uma luz verde brilhante. No entanto, na véspera da exibição pública que consistiria na criação de um amabiente onde o artista e o animal conviviriam, Paul Vial, então diretor do Institute Nacional de La Recherche Agronomiche (INRA), na França, onde a coelha foi gerada, recusou-se a liberá-la.

Já em 2008, à luz de uma reflexão de como seria o dia depois da criação narrado na escritura bíblica, Kac apresentou O Oitavo Dia, um novo ecossistema no qual interagiam humanos, não humanos e máquinas. No interior de um domo incandescente, seres fluorescentes conviviam com um biobô (robô biológico). Estavam presentes plantas de tabaco, amebas, peixes e ratos, todos expressando a proteína fluorescente verde e, juntamente com o biobô, evocavam a criação de um ecossistema artificial autônomo, a expansão da biodiversidade para além das formas de vida do tipo selvagem. Para Eduardo Kac, as criaturas fluorescentes desenvolvidas de forma isolada em laboratórios, vistas em conjunto, formam o núcleo de um novo e emergente sistema bioluminescente.

Nesta semana, uma equipe de investigação da Universidade Nacional de Seúl anunciou ter criado o primeiro cachorro fluorescente. Trata-se de uma cachorra da raça beagle, chamada Tegon, nascida em 2009, que teria sido modificada geneticamente para emitir luz fluorescente. De acordo com a agência Yonhap, os cientistas completaram a investigação de dois anos e afirmaram que a capacidade de brilhar pode ser ativada ou desativada acrescentando um fármaco (a doxiciclina) na comida do cachorro. “A criação de Tegon abre novos horizontes já que o gene injetado para fazer com que o cachorro brilhe pode ser substituído por genes que desenvadeiam doenças humanas mortais”, afirmou à agência Yonhap Lee Byoung-chun, principal investigador.

O cachorro teria sido criado a partir do uso da tecnologia de transferência nuclear das células somáticas que a equipe da universidade utilizou para criar o primeiro cachorro clonado do mundo, Snuppy, em 2005. Para Lee, considerando que existem 268 doenças comuns a humanos e cachorro, criar cachorros que motrem de forma artificial este ipo de sintomas poderia ajudar em tratamentos para doenças sofridas pelo humano, tais como Alzheimer e Parkinson.

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