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segunda-feira

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julho 2012

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A arte da interação humana na Tate Modern

Escrito por , Postado em Destacadas, Estéticas Tecnológicas

these associations-sehgal tate modern

Na última obra de Tino Sehgal, o visitante é acompanhado por uma pessoa que lhe conta uma história sempre diferente, uma mostra da relação entre o indivíduo e a sociedade.

 

A arte moderna está em um perpétuo combate por romper as fronteiras. Nessa busca experimental foram dados grandes saltos e abertos muitos debates sobre a identidade da arte e seus limites. A obra do artista anglo-alemão Tino Sehgal, que se inaugura nesta terça-feira no Tate Modern De Londres, é a última manifestação dessa polemica.

A obra tem lugar no célebre Turbine Hall do museu que, nos últimos 12 anos, albergou obras experimentais de Anish Kapoor, Olafur Aliasson, Bruce Nauman e Doris Salcedo. A diferença é que, com These Associations, Sehgal leva a ruptura a um ponto mais além. Sehgal descarta a ideia de que a arte tenha uma expressão física (que seja um quadro, escultura, artefato, instalação, etc) e trata com igual desdém a ideia de uma explicação escrita de sua obra.

Em These Associations, o espectador ingressa na Turbine Hall e é abordado por uma pessoa que lhe conta uma história. Cerca de 50 participantes pagos são encarregados dessa interação com o público que pode escutar desde um relato banal até uma comovedora e misteriosa vida de exílio. Para Seghal é uma forma de compreender a relação entre o indivíduo e a sociedade. “É compreender o significado de pertencer a um grupo, uma pergunta que me faço continuamente”, declarou Seghal.

O projeto mais arriscado da Tate

Este tipo de experimento é uma marca distintiva da obra de sua obra. Em um trabalho anterior, This Progress, um menino recebia o espectador que era acompanhado em sua visita em torno de pessoas que, com mais idade, discutiam a ideia do progresso. Segundo Chris Dercon, diretor da Tate Modern, These Associations é o projeto “mais complexo, difícil e perigoso que já apresentamos no museu”.

Se temos em conta que a Tate Modern não se caracterizou por sua timidez na hora de promover vanguardas, as palavras de Dercon constituem uma importante recomendação. Se se trata de arte ou seria outra coisa. Em todo caso, o fato de que precedesse o dia da inauguração dos Jogos Olímpicos, na última sexta-feira, tem sentido: em ambas experiências há uma massiva interação de pessoas de qualquer parte do mundo. Não se poderia deixar de pensar que muitos deles contem histórias.

* Artigo de Marcelo Justo publicano em El País, dia 27 de junho de 2012.

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