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segunda-feira

18

junho 2012

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A arte eletrônica de Jim Campbell

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jim campbell exploded view

Formado em matemática e engenharia pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), Jim Campbell criou, em 1992, uma das primeiras obras públicas permanentes de vídeo interativo, em Phoenix, Arizona. Atualmente é considerado um dos artistas mais vanguardistas do século XXI.

Campbell se destaca por manipular como materiais básicos os sistemas eletrônicos e os computadores para criar haikus virtuais da era da informação. Suas instalações interativas, que incluem circuitos eletrônicos adaptados e diodos emissores de luz (LED), exploram características do movimento físico em figuras humanas e na natureza, bem como aspectos da memória, tempo e lugar.

"Memory Works", Jim Campbell

Memory Works é um de seus trabalhos relevantes. Reflete o esquecimento e a memória a partir de representações digitais de recordações, tanto pessoais como coletivas. Essa série, desenvolvida por Campbell entre 1994 e 1998, coloca em diálogo os meios de comunicação eletrônicos e digitais com elementos próprios do mundo analógico pré-digital. Livro, relógios, fotografias velhas, uma máquina de escrever são objetos que funcionam de acordo com informação gravada por ele em memórias digitais que se encontram dentro de caixas metálicas. Nessas memórias, Campbell gravou recordações vinculadas à sua história. O motor que faz funcionar os objetos são as memórias ocultas no interior das caixas, uma metáfora do funcionamento de nossa própria memória.

Portrait of my father/ Portrait of my mother, Jim Campbell

Dessa série faz parte Portrait of my father/Portrait of my mother. Lado a lado estão os retratos de seus pais. Do lado esquerdo, a fotografia do pai de Campbell se torna visível ao ritmo das batidas do coração do artista, gravado como memória durante 8 horas enquanto dormia. Já o retrato da mãe do artista, aparece e desaparece lentamente na cadência da respiração do artista gravada digitalmente no intervalo de uma hora. Através da conjugação dos retratos de seus pais com os impulsos vitais, Campbell alude à perda e às possibilidades de mudança das recordações. Ainda compõem a série Mermory Works, as peças Typing Paper, I have never read the Bible, Cyclical Meter Base e Night Light.

A série Still Image Work composta por imagens fixas bidimensionais reflete sobre a nossa percepção do tempo, manipulando a velocidade e o movimento e alterando a noção que temos da forma.

"Still Image Work", Jim Campbell

Em Illuminated Average (2000), cada imagem fixa está criada a partir da média de todos os fotogramas em uma série de movimentos. Tanto o cinema como a música são artes do tempo. Campbell projeta, então, imagens da Suite for Cello #2, de Bach, e duas grandes obras do cinema (Psycho, de Hitchcock e Citizen Kane, de Orson Wells). O resultado são imagens quase abstratas, no qual alguns objetos estão presentes como marcas do que vivenciado. Assim, Illuminated Average condensa o tempo em movimento até transformá-lo em algo estático.

"Digital Watch", Jim Campbell

Em Digital Watch, o espectador se depara com uma retroprojeção que mostra a imagem de um relógio ocupando o centro e grande parte da tela. Uma câmera situada ao lado da tela captura a imagem do espectador parado em frente a ela. O reflexo do visitante é duplo. Por um lado, vê sua própria imagem refletida no relógio. Por outro, instantes depois, a mesma imagem aparece refletida na superfície do relógio, como se o tempo implícito atuasse sobre sua presença.

Low Resolution Works reduz os elementos constitutivos da imagem – os pixels – ao mínimo possível. A série joga com os limites da inteligibilidade da imagem, em um trânsito sutil entre o abstrato e o figurativo, o conhecido e o desconhecido. Jim Campbell descompõe a imagem, descartando toda sua informação e deixando apenas figuras no limite do representável. Estas só são reconhecíveis graças a uma tela de difusão que Campbell coloca diante do painel de LED.

Exploded View (2011) é uma instalação com luzes suspensas no teto que forma uma espécie de caixa retangular. A obra expande uma imagem em movimento, plana e bidimensional, para uma matriz tridimensional composta de mais de mil diodos brancos (LEDs) pendurados. O resultado é uma tela de baixa resolução que reflete os limites da percepção e compreensão de uma imagem. Desde certo ponto de vista, o visitante percebe figuras sombrias que se deslocam pelo espaço.

Nesse sentido, o trabalho do artista está em experimentar as maneiras como nosso cérebro entende ou decodifica as imagens. Compara as formas de ver de perto ou de longe as imagens.

Jim Campbell ambém se destaca por suas intervenções públicas. Scattered Light, Broken Window e Voices in the Subway Station são algumas delas.

Veja entrevista com Jim Campbell por ocasião da exposição Tiempo Estático. Jim Campbell: 20 anos de arte eletrônica, ocorrida na Fundação Telefônica de Buenos Aires (Argentina), entre os dias 8 de junho e 1º de outubro de 2011.

Link:

- Site pessoal de Jim Campbell

http://www.jimcampbell.tv/

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