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quarta-feira

26

setembro 2012

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A desobediência urbanística como obrigação

Escrito por , Postado em Destacadas, Estéticas Tecnológicas

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O arquiteto sevilhano Santiago Cirugeda já perdeu a conta das vezes que ouviu: “Este projeto não pode ser realizado, não está permitido”.

Seus projetos que desafiam as normas legais estabelecidas pretendem dar resposta técnica às necessidades sociais e urbanísticas que são ignoradas pelas prefeituras.

Cirugeda já afirmou: “Tenho título de arquiteto, mas sou mais cidadão que arquiteto”. Partindo desse preceito, ele acredita que todo cidadão deve ter voz. A capacidade de um cidadão propor em que bairro quer viver deve ser exatamente a mesma que a de um titulado.

Em 1996 criou o estúdio Recetas Urbanas, um viveiro de ativistas que hoje dão forma a uma extensa rede chamada Arquiteturas Coletivas, formada por dezenas de agrupamentos de diversas nacionalidades e âmbitos, desde o mundo da arte até a advocacia, e empenhados em propor soluções alternativas para dar resposta às demandas sociais dos vizinhos e comunidades.

Seus métodos de trabalho baseados na ocupação do espaço público, da autogestão, da recuperação social de espaços privados e o uso de materiais inutilizados ou de desperdício, transformaram Cirugeda e seus colaboradores em referente de uma nova forma de fazer arquitetura e, sem pretendê-lo, em ‘enfants terribles’ das administrações na Espanha.

Dentre outros projetos, Recetas Urbanas é responsável pela construção de estruturas para dar sombra nos colégios públicos mediante árvores de madeira e toldos reciclados; reabilitação de edifícios abandonados, acrescentando equipamentos sociais, a fim de melhorar o estado das casas locais; restauração de espaços públicos a partir de uso de materiais em desuso, tais como contendores desmantelados, bancos, faróis e azulejos.

Mesmo que seus projetos sejam considerados ilegais pelas administrações públicas, Cirugeda acredita que “como cidadãos devemos cometer ‘ilegalidades’ e demonstrar que essas alegalidades podem ser corretas. Só assim é possível originar uma mudança de mentalidade e, em última instância, uma mudança política”.

Visto em Yorokobu

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