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quarta-feira

30

maio 2012

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A guilhotina como arte: a ovelha deve morrer? Você decide.

Escrito por , Postado em Destacadas, Estéticas Tecnológicas

guilhotina ovelha

Os internautas decidiam com um clique se uma ovelha deveria morrer na guilhotina ou não.

Esse é, em essência, o conteúdo do polêmico experimento realizado, em Berlim, pelos artistas Iman Rezal e Rouven Materne, estudantes da Universidade das Artes da capital alemã. Eles utilizavam a página web die-guillotine.com (indisponível no momento) com o objetivo, segundo dizem, de explorar os limites da democracia.

Através da internet, Materne e Rezai faziam um chamado público a decidir sobre a vida da ovelha chamada Norbert em uma guilhotina de desenho que aparece no vídeo instalada em um quarto plastificado em branco e de localização irreconhecível. O experimento dava a possibilidade de os internautas votarem sim ou não a pergunta “Esta ovelha deve morrer?”, que vinha junto a um vídeo que se repetia violentamente e no qual uma faca da guilhotina rocava, perigosamente, a cabeça do animal. O experimento recebeu 2,5 milhões de votos contra a execução contra 1,7 milhões de votos a favor, além de conseguir também grande atenção midiática e várias demandas judiciais.

Antes de que terminasse o experimento on line, um artista dos Estados Unidos teria comprado a obra de arte, ou seja, a guilhotina, pela quantia de 1,75 milhões de euros, segundo informação da agencia The Coup.

A Universidade se distanciou do projeto e seu presidente, Martin Rennert, explicou que “para nó, é evidente que a arte tem seus limites no momento em que possa ferir a vida”. Ambos são alunos das classes magistrais ministradas em Berlim pela professora nipo-suiça Leiko Nemura e, devido ao escândalo, a Universidade das Artes chegou a cogitar sua expulsão. “Bom, se me mando embora… que melhor dado que esse para o currículo de um artista que está começando e que sonha voar alto?”, declarou Rezai.

Ambos coincidem em que o valor de sua obra reside na exploração de uma nova sociedade interativa cujos limites não feriram ninguém, ainda. “Somos como os exploradores espanhóis traçando o mapa do Novo Mundo. E vamos nos deparar com dilemas éticos e morais completamente novos a cada passo, mas não por isso vamos deixar de avançar”, explica Materne. Mas a maioria dos críticos consideraram o projeto “perverso” e o debate não se centrou na relação entre os novos mundos virtuais e a democracia, como eles pretendiam, mas sim nos limites da arte e o valor da vida, questionando se a arte pode ir tão longe.

* Texto “La Guillotina como bella arte”, de Rosalía Sánchez, publicado no jornal El Mundo, em 30 de maio de 2012. Traduzido por Karina de Freitas Silva.

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