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sexta-feira

9

março 2012

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“Chatting in the Dark”: texto de Massimo Canevacci sobre o trabalho da artista Francesca Fini

Escrito por , Postado em Destacadas, Estéticas Tecnológicas

francesca fini ALONE IN THE DARK CHATTING IN THE DARK 01

Chatting in the Dark

de Massimo Canevacci

Francesca Fini é uma artista que desenvolve composições performáticas através de um jogo com o seu corpo, como um papel absorvente da pele, tecnologias digitais em grande parte reinventadas por ela mesma. Assim, a paisagem corporal se torna um absorver e em um ampliar de sinestesias musicais-ruidosas, uma espécie de instrumento que ela toca em cena, interagindo na espontaneidade projetual do evento.

Francesca Fini tem uma capacidade extrema de ser artesã do digital, inventa luvas que criam refrações de imagens “caleidoscópicas” e “caleidosônicas”, teclados que são extensões do corpo e incorporamento de sensores sonoros: é criadora no sentido humanista, se envolve com a arte que lhe é contemporânea e a faz avançar por territórios ainda não totalmente certos e, seguramente, desconhecidos. Sinestesias corpo-digitais que absorvem máscaras, teclados, chips até extender-se no projeto ALONE IN THE DARK #2.

Aqui a sua ação performática entra dentro dos corpos que se movem por espaços escuros, lascas de sombras que giram entre desejos incontroláveis e poderosa autocensura. Assim a dark-room virtual de chat-roulette se torna uma solidão escura a ser clareada, entrando em contato comunicacional com o desconhecido, exercitando o brívido do imprevisto, do ilegal e do imoral. De um delito que sempre retorna como o orgasmo.

A arte pode entrar nesses espaços escuros, pode arriscar absorver o desejo pulsante que desvia ou cria itinerários “ilícitos” mesmo entre adultos, como se costuma dizer. Além disso, aqui a arte exercita um jogo mais sutil, que entra nesses espaços, os assume, quase os incorpora; Francesca interroga a si mesma como artista, interroga a nós observadores em parte envolvidos, os atores anônimos do desejo ou, melhor, “heterônimos”, no sentido próprio que assumem nomes e outras lógicas. E aqui não termina…

A chat-roulette da artista gira então entre pulsantes de curiosidades ilimitadas; não para e a cada parada temporária impulsiona o desejo de se mover, repetidamente, em direção a soluções impossíveis. Um desejo que está sempre no próximo passo; um desejo estaticamente dirigido, sempre além da “coisa”.

O espectador não é apenas um voyer como no teatro clássico ou no cinema 3D: ele é motivado a assumir a responsabilidade de ser híbrido especta-ator, um observador participante, quase um etnógrafo de si mesmo que quer experimentar as suas extensões “perversas” e de desejo.

A tensão agora é que o perverso não é mais certo, ou seja, não é mais como era definido pelos clássicos da psicoanálise: as perversões se tornaram ícones sobre os quais clicar temporariamente, pausar por um certo tempo, estar mais ou menos envolvidos e passar rapidamente para o próximo que é – ou poderia ser – sempre o mais “apetitoso”.

Dessa forma, essa criadora da arte digital-corporal, onde a psyché viaja obscura juntamente com as teclas e o monitor, pode – na sua obsessiva interação – provocar a si mesma, o outro, as mesmas tecnologias, os tecnocorpos, a observar além de um desejo insaciável. E, talvez, esse outro é um risco absoluto, onde a arte tangencia a sombra escura e descobre aquilo que apenas se pode sussurrar.

Tradução realizada por Karina de Freitas do texto original CHATTING IN THE DARK, do antropólogo italiano Massimo Canevacci.

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