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quarta-feira

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abril 2012

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Depois de uma semana encerrada em um quarto hikikomori, artista afirma: “Senti-me um Tamagotchi”

Escrito por , Postado em Destacadas, Estéticas Tecnológicas

eugenia lim projeto hikikomori

Você deve se lembrar do projeto de arte da artista australiana Eugenia Lim. Durante a semana passada, ela passou uma semana encerrada em um quarto da galeria West Space de Melbourne. A obra Stay Home Sakoku: The Hikikomori Project se inspira no fenômeno japonês denominado hikikomori, que significa, literalmente, isolar-se e indica o transtorno sociológico típico do Japão, forte sintoma de desequilíbrio psíquico. Esta síndrome, que afeta sobretudo os adolescentes, os leva à reclusão voluntária no interior de seus quartos que se tornam pequenos mundos. Recusam qualquer tipo de contato que não seja virtual.

“Não pretendo falar em nome desse fenômeno. Sou uma estrangeira que vive e trabalha em um contexto cultural e geográfico diferente. Entretanto, acredito que estão se tornando uma tendência mundial e que necessitam ser estudados. Que significa para nossos corpos e mentes a crescente dependência dos aparelhos digitais no trabalho, no lazer e nas relações pessoais? Vivendo virtualmente através da web, percebi este impacto mais profundamente”, afirmou Lim.

A artista se negou, durante o período da experiência, a qualquer contato que não fosse virtual e, como se fosse um tamagotchi, delegou sua sobrevivência a amigos e público anônimo que lhe deu bebidas e alimentos.

Durante o tempo em que ficou fechada no quarto hikikomori, a Eugenia Lim refletiu sobre a pergunta central do projeto: ‘As novas tecnologias nos liberam ou nos transformam em escravos de nossas próprias ferramentas?’.

“Acabo de terminar minha experiência nesta habitação hikikomori e tenho a sensação de ter gastado uma enorme quantidade de tempo em uma caverna de Platão com paredes com pêssego. Durante esses dias, os mundos online e off-line, ou seja, o virtual e o físico, se tornaram um só; o tempo não foi medido em horas e minutos, mas foi marcado pela duração das canções da minha lista de reprodução no YouTube ou pelo tempo das conversas no chat”. Além disso, acredita que “no mundo virtual e, em menor medida, no mundo exterior, a Rede e tudo o que representa é ao mesmo tempo bendição e maldição, porque, em certo modo, contém todo o conhecimento, mas nunca todas as respostas”. (via)

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