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segunda-feira

25

julho 2011

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Entrevista com Soraya Braz e Fabio Fon, artistas que apresentam “Via Invisível” no FILE 2011

Escrito por , Postado em Estéticas Tecnológicas

via invisivel soraya braz fabio fon 03

A dupla de artistas Soraya e Fabio FON participam do FILE 2011 com a obra Via Invisível. Trata-se de uma obra pública presente nas saídas dos metrôs da Consolação, Trianon-MASP e Brigadeiro. Painéis com dispositivos sensíveis captam a radiação eletromagnética emitida por telefones celulares em uso. As luzes se acendem e apagam de acordo com o número de celulares ativos ao redor. Em entrevista ao TecnoArteNews, Soraya Braz e Fabio FON revelam o conceito da obra Via Invisível e como as experimentações artísticas realizadas por eles chamam atenção para as implicações sociais e ambientais dos dispositivos móveis.

TecnoArteNews: Vocês apresentam no FILE PAI 2011 o projeto artístico Via Invisível. Poderia nos dizer em que consiste e quais as principais questões levantadas por este trabalho?

Soraya Braz e Fabio FON: Via Invisível é um trabalho de arte pública que consiste em painéis dispostos nas saídas das estações de metrô situadas na Av. Paulista. Estes painéis possuem pequenos dispositivos sensíveis a freqüência de radiação eletromagnética emitida por telefones celulares em uso, e piscam freneticamente quando captam esta freqüência. Não podemos visualizar naturalmente as redes telemáticas que se formam a partir de nossas conversas com celulares. O trabalho se propõe trazer, de maneira poética, esses caminhos invisíveis e também nos convida a refletir a respeito das novas relações humanas intermediadas pelo aparelho, a respeito dos caminhos que deixamos de percorrer ao encontro do outro e as questões de saúde envolvendo a radiação.

TecnoArteNews: Via Invisível está em 9 saídas do metrô da linha verde (Consolação, Trianon-MASP e Bridadeiro). De que modo a obra se integra à “paisagem urbana”? Como o público pode interagir com ela?

Soraya Braz e Fabio FON: Via Invisível é ver o invisível em uma das principais vias da cidade, a Av Paulista. Ele não existe sozinho: faz parte do trabalho o fluxo que circula em seu entorno, quando alguém passa usando o telefone celular é quase certo que o painel vai mostrar um rastro do caminho invisível deixado pela radiação.  A minha opção de apreciação do trabalho é contemplar esses fluxos, mas quem quiser interagir diretamente pode acionar o painel fazendo uso do próprio telefone e visualizar sua via.

TecnoArteNews: CaptasRoaming e Via Invisível seguem a mesma linha de criação. A partir dessas experimentações artísticas com radiação eletromagnética, quais seriam as implicações sociais e ambientais dos dispositivos móveis?

Soraya Braz e Fabio FON: Roaming, Grampo e Via Invisível baseiam-se na apropriação de sensores de radiação eletromagnética encontrados em chaveiros decorativos para telefones celulares.  Vimos nestes pequenos dispositivos um potencial poético e crítico para refletir a respeito das novas relações sociais e ambientais desenvolvidas após o progressivo uso de telefones celulares, que cresceu de maneira explosiva nas últimas décadas.  Observar os sensores em funcionamento nos permitiu perceber a presença ubíqua desta radiação no ambiente e pensar de que maneira ela interfere em questões como privacidade, saúde, condutas sociais, etc. Em nossas pesquisas encontramos outros trabalhos que também abordam o tema em projetos de design, trabalhos artísticos, pesquisas acadêmicas, enfim, há um vasto material sobre o assunto. Sigmund Bauman (Amor Líquido) observa que o aparelho trouxe mais isolamento e individualismo às pessoas do que promoveu a convivência entre elas. Outra questão é a quebra dos limites entre público e privado, quando os falantes tagarelam em espaços públicos expondo sua intimidade e esquecendo do entorno, do direito do outro de não saber. Embora Captas não utilize os sensores dos chaveiros, pois possui um sensor próprio que foi construído exclusivamente para ele, a essência é a mesma.

TecnoArteNews: Tem se tornado comum nos festivais a apresentação de projetos realizados em parceria (por uma dupla ou uma equipe colaborativa). No FILE 2011 não é diferente. Temos além de Via Invisível, realizado por vocês, a instalação inteativa Túnel, de Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti; Face to Facebook, de Alessandro Ludovico e Paolo Cirio; entre outros. No caso de vocês, como se estabelece essa parceria? Como é a dinâmica de trabalho?

Soraya Braz e Fabio FON: Começamos a trabalhar juntos em 2007 com Roaming. Acreditamos que juntos conseguimos somar capacidades e compensar algumas dificuldades. E a criação tende a envolver mais debates e chegar a idéias mais interessantes do que se trabalhássemos individualmente.

Link-se: 

- Soraya Braz é artista multimídia, graduada em Artes Plásticas na Escola de Comunicações e Artes da USP e pesquisadora sobre a produção artística que faz uso de radiação eletromagnética.

- Fabio FON: (Fábio Oliveira Nunes) é artista multimídia e webdesigner. É também doutor em artes na ECA-USP, pesquisando sobre arte e novas tecnologias, e mestre em multimeios na UNICAMP. Desde 1999, desenvolve projetos de web arte na rede Internet. É autor do site Web Arte no Brasil e co-organizador do site Artéria 8.

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