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quinta-feira

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junho 2012

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Finalmente Ai Weiwei LIVRE: a luta pela liberdade transformou o artista em pop star

Escrito por , Postado em Destacadas, Estéticas Tecnológicas

free ai weiwei

“A liberdade é algo estranho”, afirmou certa vez Ai Weiwei, um dos artistas mais famosos, polêmicos e influentes no mundo. Nos últimos anos, nenhum artista ganhou tanta atenção internacional como ele, o que o transformou em um pop star ou na “Divindade Ai”.

Ai Weiwei já pode sair de casa sem informar à polícia chinesa

O artista Ai Weiwei, em regime de prisão domiciliar há um ano, já pode sair de sua casa sem informar à polícia. No entanto, segue proibido de viajar ao exterior posto que continua sendo objeto de investigações por bigamia, pornografia e intercâmbio ilícito de divisas estrangeiras.

Uma assistente de Ai, que preferiu manter o anonimato, confirmou à Efe que, embora as restrições de prisão domiciliar já “haviam terminado”, as de viajar ao exterior “ainda continuam”. Logo, o artista segue sem dispor de passaporte, bem como sua esposa.

Essa “semi” liberdade se produz um ano depois de que a agência oficial Xinhua anunciasse que Ai Weiwei, após pagamento de fiança, ficaria livre em regime de prisão domiciliar durante 365 dias dadas as acusações de “delitos econômicos”.

Hoje Ai Weiwei afirma: “Eu amo a liberdade como ninguém mais”

Já livre, em sua coluna no The Gardian, Ai Weiwei revela a sensação de sentir-se libre – “Eu amo a liberdade como ninguém mais” e afirma que a experiência vivida lhe trouxe uma sensação muito forte de responsabilidade e uma compreensão dos problemas e como levá-los adiante de forma positiva.

Há muitos momentos em que você se sente desesperado e sem esperança e você sente que é o fim de tudo. Mas ainda assim, na manhã seguinte, você acorda, você ouve o canto dos pássaros e o vento sopra. Você se pergunta: posso me dar o luxo de desistir da luta pela liberdade de expressão ou dignidade humana? Como um artista, esse é um valor essencial que nunca pode ser abandonado.

Sobre o problema enfrentado com o governo chinês, Weiwei explica que está processando as autoridades fiscais por abuso de poder e procedimentos ilegais. Ainda assim, não tem esperanças de sair vitorioso, mas acredita que a experiência possa servir de exemplo a tantas outras pessoas que passam por situações semelhantes.

O recado final:

Eu sou apenas um cidadão: minha vida é um valor igual ao de qualquer outro. Mas eu sou grato, pois quando perdi minha liberdade tantas pessoas compartilharam seus sentimentos e fizeram um esforço enorme por me ajudar. Isso me dá esperanças: a estupidez pode ganhar por um momento, mas nunca pode realmente ter sucesso, porque a natureza do ser humano é buscar a liberdade. Eles podem retardar essa liberdade mas não podem pará-la!

Leia o texto completo Ai Weiwei: to live your life in fear is worse than losing your freedom publicado hoje no jornal The Guardian.

Relembre o caso

Ai Weiwei, conhecido por sua contribuição ao desenho do estádio olímpico El Nido, de Pequim, se transformou em alvo das autoridades chinesas após condenar de forma aberta as censuras do regime comunista em entrevistas a meios de comunicação de todo o mundo.

O problema atual com as autoridades comunistas começou em abril do ano passado quando o artista foi detido no aeroporto de Pequim e ficou incomunicável durante 81 dias como suspeito de “incitar a subversão contra o estado”. Posteriormente, recebeu como punição a prisão domiciliar.

Desde então, uma série de protestos pedindo a libertação de Ai Weiwei ocorreram pelo mundo. E, durante o último ano, o artista usou a rede como espaço para manifestar seu estado de vigilância. Transformou sua permanência em casa em uma espécie de Big Brother virtual. Manteve seu ativismo através da rede, denunciando, metaforicamente, a vigilância à que lhe submetiam dezenas de câmeras policiais que observavam suas ações cotidianas.

Ações ativistas de Weiwei

Um dos problemas enfrentados por Ai é uma denúncia feita pelo Departamento Fiscal de Pequim em abril, na qual é acusado de evasão fiscal. Ainda que tenha sido chamado ontem a comparecer em uma audiência no juizado do distrito de Chaoyang, de Pequim, por motivo dessa demanda, o artista anunciou em seu perfil ter sido advertido pela Polícia, repetidas vezes, para não comparecer. Ontem, novamente, seus seguidores puderam acompanhar mais um episódio do Big Brother Ai Weiwei. Pelo Twitter, Ai comunicou as agressões sofridas por um de seus agentes que tentava tirar uma foto da mega operação policial que se alojou diante de sua casa para impedi-lo de comparecer à audiência. Também denunciou o desparecimento de seu advogado Liu Xiaoyuan.

Em abril deste ano Ai Weiwei havia feito públicas as imagens do interior de sua casa em tempo real. Segundo Weiwei, tratava-se de um presente ao público e um protesto pelo assédio a que o submetiam as autoridades chinesas. Para o artista, ese era “um presente ao público e também à segurança pública”. Os internautas podiam seguir, ao vivo, a falta de liberdade a que estava submetido pelas dezenas de câmeras das autoridades governamentais que cercavam sua casa.

O site permitiu aos usuários acompanhar vários planos congelados do artista diante do computador ou do quintal da casa. A iniciativa não durou mais do que 24 horas. O governo chinês reagiu ao ato do artista de querer anular o valor das imagens que as autoridades chinesas registravam com outras ainda mais pessoais, difundindo todos seus movimentos e ações a todo o mundo.

A genialidade do artista foi censurada. Ai, na ocasião, revelou em sua conta de Twitter que a página web, através da qual sua vida era exibida, foi censurada. As câmeras foram desconectadas. “Bye bye a todos os voyeurs”, avisou o Ai Weiwei.

Ai Weiwei, o pop star

A luta pela liberdade transformou o artista em uma espécie de pop star. Na internet ganhou inúmeros seguidores da causa “Free Ai Weiwei”.

Após realizar, ainda no ano passado, o pagamento de fiança – valor arrecadado com ajuda de simpatizantes – para poder recorrer da multa por suposta evasão de impostos, o artista chinês Ai Weiwei se viu em nova polêmica. Weiwei recebeu a denúncia de “pornografia” por umas fotos antigas nas quais posou nu. A imagem “Um tigre, oito seios”, feita pelo fotógrafo Zhao Zhao, mostra Ai acompanhado de quatro mulheres. Todos nus sentados. A imagem foi classificada pela polícia como obscena. Zhao foi interrogado pela polícia sobre a imagem.

Para infortúnio das autoridades chinesas, a causa contra Ai Weiwei repercutiu na internet. Os simpatizantes do artista se reuniram para criticar o autoritarismo de Pequim. Centenas de fotos de personagens da vida cultural chinesa decidiram apoiar Weiwei e publicaram nas redes sociais fotos de nus em sátira ao Governo Chinês.

Nas redes sociais Twitter e Facebook também há vários perfis que pediam a liberdade de Ai Weiwei, buscando manter a comunidade internacional a par dos últimos episódios do artista e de sua luta pela liberdade.

Documentos e biografia a Divindade Ai Weiwei

Um documentário sobre o artista, “Never Sorry”, que estreia no dia 27 de julho. O filme do diretor Alison Klayman capta o apogeu do artista e dissidente chinês. Trata-se de uma celebração à iniciativa especial dos meios para apoiar a Weiwei quem hoje ganhou o direito à liberdade após um ano de prisão domiciliar.

E ontem foi lançada a biografia “Deyti Ai” (“A Divindade Ai”) em Hong Kong. O livro conta a história de “um artista, um cidadão, uma pessoa que age em conjunto com seus compatriotas em uma guerra de vida ou morte contra uma superpotência deste planeta”, afirmou seu autor Du Bin. “A Divindade Ai” é uma frase cunhada por internautas chineses para mostrar seu respeito por Ai Weiwei.

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