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sexta-feira

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agosto 2012

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O plâncton artificial de Arcángel Constantini

Escrito por , Postado em Destacadas, Estéticas Tecnológicas

magnetoplancton1

Magnetoplankton é um projeto do artista mexicano Arcángel Constantini. O plâncton artificial chamado “magnetoplâncton” – um termo derivado de “magnes” (latim) e “πλαγκτός – Planktos” (grego) – é um espécimen laboratorial que habita em tanques de cristais com amostras de água e plâncton vivo. Microrrobôs respondem dinamicamente a oscilações variáveis dos campos eletromagnéticos processados em tempo real por algoritmos de feedback. Experiências com estruturas artificiais de vida, procurando uma relação simbiótica com o seu meio-ambiente, recorrendo a processos relacionados com os campos estudados pela magnetoquímica, a hipótese desta experiência artística joga com a ideia de que a vida, estruturada no meio-ambiente da molécula de água, apreende oscilações das energias subtis: o diamagnetismo da água que afeta a sua tensão superficial e causa oscilações que produzem ligações com os spins dos sistemas energéticos.

Microrrobôs metálicos induzidos magneticamente para provocar uma histerese que produz um campo magnético residual, estes robôs habitam num depósito de cristais que será colocado numa bobina de indução enrolada por fio de cobre esmaltado. Um microcontrolador gerará pulsos de voltagem variáveis que serão amplificados e emitidos para a bobina, produzindo campos eletromagnéticos a frequências variáveis. Os microrrobôs, por sua vez, reagirão a estes campos com propriedades cinéticas. A reação física a estes movimentos provocará, na estrutura de cristais, microssons que serão posteriormente amplificados por altifalantes piezoelétricos e em neodímio. As variáveis que produzirão as oscilações serão obtidas através de sensores específicos que reagem a condições magnetoquímicas e a processos biológicos que alimentam os diferentes sistemas com dados, estabelecendo a comunicação entre os vários depósitos. Estes depósitos regidos por protocolos científicos sustentarão colónias vivas de plâncton; O público, usando microscópios digitais portáteis, observará a vida microscópica do plâncton e do “magnetoplâncton” num pequeno ecrã de LCD; À volta da lente do microscópio, ímanes de neodímio exercerão uma influência na cinética dos microrrobôs que têm, por isso, reações inesperadas ao serem afetados pelos novos campos magnéticos em seu redor. Serão construídos cinco tanques para serem colocados numa mesa pentagonal.

Sobre o artista:

Arcángel Constantini - A sua investigação e desenvolvimento enquanto artista, curador e promotor são inteiramente motivados pela ligação entre o processo artístico e o processo tecnológico, apresentando a sua prática diferentes linhas de discurso, bem como processos percetivos interligados a partir de uma perspetiva lúdica conceptual. Coleciona tecnologias obsoletas que integra como entendimentos contemporâneos de processos e ideias em desuso. Os seus discursos alimentam-se de atividades relacionadas com a net-arte, a tecnologia, o hacking, o design de interfaces e dispositivos, a animação interativa, a música experimental, a arte sonora, a ilustração, produção gráfica, fotografias e vídeo. A experimentação audiovisual tem sido uma das suas práticas principais, tanto na produção autoral e colaborativa, como na gestão.   Desde 1997, tem mantido uma produção constante de projetos de net-arte. A sua obra encontra-se ligada à utilização de novas tecnologias na criação artística, sendo o próprio um especialista, gestor e curador de eventos de arte e tecnologia: Foi curador dos Novos Média no Museu Tamayo Arte Contemporáneo, onde coordenou, entre 2000 e 2009, o programa de arte e novas tecnologias “Cyberlounge”, curador das edições de 2005 e 2009 da Bienal de Arte Eletrónica “Transitio Mx” da ANC e do CONACULTA, curador do evento inaugural da Fonoteca Nacional, curador do evento inaugural do CENTRO de design, cinema e televisão da universidade, membro do Conselho do Dorkbot, na Cidade do México, e diretor da galeria 1/4 Un-cuarto especializada na produção de arte e experimentação tecnológica de artistas mexicanos.   A sua obra foi apresentada em importantes festivais de Media Art no Canadá, Coreia, Itália, Alemanha, Argentina, Países Baixos, Espanha, Reino Unido, Uruguai, Peru, China, EUA, Brasil, Austrália e Porto Rico. Recebeu a bolsa para jovens artistas FONCA 2000, a bolsa Rockefeller/Macarthur 2002, apoio à produção artística por parte do Centro Multimédia e apoio concedido pela Fundação Telefonica no âmbito do “Concurso VIDA 0.11″. Apoiou a criação da Fundação Bancomer e integrou o Sistema Nacional de Creadores Artísticos FINCA 2005-2008. 2011-2013. http://www.arc-data.net/

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