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segunda-feira

29

outubro 2012

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O satélite Ulises I, contendo obras de arte sonora, será enviado ao espaço em 2013

Escrito por , Postado em Destacadas, Estéticas Tecnológicas

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No primeiro trimestre de 2013, será posto em órbita Ulises I, um satélite contendo onze obras de arte sonora, uma espécie de ópera espacial. Os responsáveis pelo projeto são os integrantes do Coletivo Espacial Mexicano, cujo diretor é o artista mexicano Juan José Díaz Infante. A ideia nasceu no final de 2010, não apenas com a intenção de ampliar o horizonte conceptual da arte contemporânea como também de propor uma possibilidade de futuro, em um momento de crise internacional onde projetos espaciais não estejam vinculados unicamente ao desenvolvimento científico, mas também à experimentação artística.

O satélite estará em órbita por, aproximadamente, quatro meses e transmitirá seu sinal pela banda civil/amateur 433 mghz.2. Desde o ponto de vista técnico, Ulises I é um nanosatélite, modelo TubeSat, de forma cilíndrica hexadecagonal. Tem 8,9 centímetros de diâmetro e 12.7 centímetros de largura. O ensamblado externo será integrado por oito cartões de circuitos impressos Printed Circuit Boards (PCBs) e pequenas placas solares que lhe servirão para se alimentar durante a travessia.

As onze obras que transmitirá Ulises I estão projetadas como uma só peça integral. Os autores são reconhecidos artistas mexicanos: Arcángel Constantini, Iván Puig, Arturo Márquez, Hugo Solís, Francisco Rivas, Marcela Armas, Gilberto Esparza, Omar Gasca, Ariel Guzik, Ramsés Luna e o grupo de rock Cabezas de Cera. As obras foram expostas no Festival Play 20122, em uma sala onde o espectador se encontrava no centro, com a imagem animada do satélite diante de seus olhos. Cada órbita do dispositivo durava um minuto e, ao finalizar, mudava de pista. Deste modo, o espectador podia escutar a totalidade das composições. O objetivo, explica Díaz Infante, é que a viagem funcione como disparador de um imaginário, que defina um feito artístico.

Por exemplo, Arcángel Constantini preparou a obra Bobina de Inducción Mántrica. O eixo da gravação do mantra “Om Mani Padme Hum” (pronunciado em sânscrito) digitalizado como um arquivo .wav. Com um microcontrolador e um conversor digital a análogo transformou as sequências binárias em voltagem análogo. Os pulsos modulados de energia circulam por um cilindro de arame de cobre enovelado como uma bobina indutora, criando campos de fluxo magnético variável. O som final será gravado e emitido desde o satélite.

O lançamento ainda sem data definida (apenas se sabe que ocorrerá no primeiro semestre de 2013), deverá se constituir, segundo Díaz Infante, em uma ação poética, cujo objetivo é demonstrar que há momentos em que se devem abandonar as progressões lógicas ou históricas, especialmente quando não estão funcionando.

Há menos de um mês foi assinado um contrato, a um preço razoável, com uma nova empresa norte-americana dedicada ao lançamento de satélites. Não é uma tarefa simples. Ulises I terá que viajar a 300 Km de altura, o que gerou alguns contratempos para desenvolver um sistema de estabilização eficiente. Será enviado em um foguete N45 que responde às normativas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Visto em @Technarts

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