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quarta-feira

25

abril 2012

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Passagem por som // IN-SONORA VII

Escrito por , Postado em Destacadas, Estéticas Tecnológicas

insonora1

INTRO>>>INDICA-SE O USO DE FONES DE OUVIDO PARA A LEITURA DO TEXTO.

Com trabalhos distribuidos entre espaços físicos e virtuais, o IN-SONORA VII, deu continuidade à sua trajetória que conta desde 2005, com encontros anuais em vários pontos da cidade de Madrid.

Estive entre os dias 14 e 24 de março na cidade espanhola, para montagem de um trabalho meu, que participou do evento e consegui presenciar 3 momentos de toda a programação que começou no dia 07 de março e segue até o dia 29 de abril.

IED // 16 de marco até 20 de abril

O prédio do IED_Madrid recebeu uma das exposições do IN Sonora VII, logo na entrada principal dois computadores apresentavam os trabalhos da sessão NET.ART, o visitante tinha acesso aos trabalhos de Matias Giuliani, Andrea Pazos y Edu Cornelles, Osvalo Cibilis e Rosario Etcheverry.

Na sala de exposições estavam dispostos os demais trabalhos, o planejamento desse ambiente tinha o cuidado de criar um espaço inteligente entre as obras, para que o sons de um trabalho não interferisse no outro, promovendo uma fruição adequada das instalações pelo visitante.

Intervalo + Veintinueve procesiones (de la série Tipificación de músicos)

O hall de entrada da sala foi o local onde Intervalo ficou instalado, a montagem foi realizada com a equipe do In Sonora e com uma funcionária do IED, que me prestaram assistência generosa para a resolução do meu trabalho. Intervalo dividiu espaço com o video Veintinueve procesiones (de la serie Tipificación de músicos) de Marcos Calvari, foi interessante ver como um trabalho conseguia dialogar com o outro através do elemento principal de cada um, a pausa promovida através da interrupção. Enquanto o som vindo do aparelho de Intervalo cessava com a passagem de uma pessoa entre as duas partes do trabalho, o vídeo de Marcos Calvari apresentava a sequência de 29 pianistas se preparando para tocar o instrumento e quando vão executar a primeira nota um corte de edição leva para o próximo músico. Sucessivamente é preparado o prenuncio de uma música que nunca será escutada.

Brújula Sonora 4.0 Madrid Soundscape

Brújula Sonora 4.0 Madrid Soundscape é um dispositivo interativo que propõe a criação de um campo sonoro através da reprodução de material captado em espaços físicos e dispostos como uma paisagem sonora dentro do ambiente de exposição (no caso da apresentação no IED) . O trabalho têm sua versao web, onde o usuário pode escutar as captações feitas e arquivadas no site como também carregar seu próprio material para dar continuidade ao projeto de Edu Cornelles.

V0.01 Transductores literarios

 

Ficção através de ruídos, poderia ser a definição do trabalho de Guillermo Marconi, porém não são apenas os sons produzidos através das máquinas que dão o corpo dessa obra, V01.01 Transductores Literarios é uma instalação com quatro peças eletromecânicas, composta por dispositivos que produzem respostas audiovisuais através de leituras feitas em pequenas fitilhas, contendo fragmentos de contos de ficção científica.

V0.01 Transductores Literarios

Cada peça da instalação, era um componente que trazia em seu corpo uma nuance específica, o funcionamento do conjunto semelhante à uma banda mecânica que tomava a sala com seus ruídos, luzes, circuitos e cabos. Além do material eletrônico, a exposição de dois pequenos desenhos e a inscrição na parede dos textos que eram lidos pelas máquinas, deram um acabamento precioso à apresentação do trabalho. Uma escultura autônoma, bonita e virtuosa.

Espacio Menosuno // 07 a 17 de Março

Consegui passar no último dia de exposição do Espacio Menosuno, dois trabalhos estavam nesse espaço independente que fica no centro da cidade.

Espacio Menosuno

Ao chegar na frente do Menosuno, pela fachada de vidro, avistavasse parte da instalação Sin Título [ Mensagem del Cardenal], instalação da mexicana Luz María Sánchez, megafones dourados fixados simetricamente em uma parede rubra, ao lado uma bancada dispunha dois impressos, um com transcrições do discurso emitido pelos megafones e outro com uma Acta de Apostasía (documento usado para cancelamento de batismo), contendo espaços em branco para que o visitante pudesse preencher e colocar em uma urna que depois seria enviada ao Arcebispo de Madrid.

Sin Título - Mensaje del Cardenal

Epidemia Sonora de Tomás Rawski, era o segundo trabalho e se encontrava em uma sala dos fundos, no momento de minha passagem, a instalação sonora e interativa que era composta por uma TV, alto falante e um microfone, estava em manutenção. Segundo informações contidas no material de apoio da exposição, o visitante poderia usar o microfone para pedir silêncio, aplaudir e assobiar e que essas ações seriam seguidas de um efeito de massas. Não fiquei frustrada por não poder ver o funcionamento do trabalho naquele momento, mais tarde conferi o site do artista que além de Epidemia Sonora contém toda a sua múltipla produção, com registros, textos do artista, mídia e todo material possível para um apresentação competente.

A questão do “trabalho em manutenção” é uma possível consequência em mostras de obras interativas e com fluxo intenso de visitantes. Tentar uma resolução concreta para esse problema, seria como combinar a força artista + instituição + público + médiuns profissionais e após muita discussão, editar um manual para resolver problemas que ainda nem existem.

Auditório Reina Sofia // 17 de Março

O evento começou com a ação Destellos en tempo de Bárbara González Barrera, uma profusão luminosa que seguia em ritmo com o som e os movimentos do corpo da artista.

Auditóro Reina Sofia - Música Prepost

Música Prepost é a dupla de artistas espanhóis Fran Torres e Pablo Peña, que desenvolvem projetos com experimentação sonora e visual. Nesse evento eles conduziram uma sessão audiovisual , a estória de um naufrágo em uma ilha do Hawaii. Usando recursos variados, componentes básicos de projeção de vídeo, objetos domésticos e capas de discos de vinil e livros que remetiam ao tema de Paraíso Tabu, os artistas construiram uma narrativa sobre um homem que segue em viagem e por acidente, chega à uma terra exótica onde explora aventuras tropicais.

La Orquestra Mundana se preparando para a improvisação

Os últimos à passarem pelo auditório foi de La Orquestra Mundana, com Concierto de improvisación. Oito homens, divindo o palco com instrumentos acústicos, elétricos, eletrônicos e digitais provocaram os tímpanos dos presentes e preencheram a sala com sons distorcidos, desconexos, que remontam ambientes em uma apresentação poderosa que causava um sentido de suspensão no plano físico. Enquanto uma catarse sonora se montava dentro do auditório, levando ao limite à audição do público, os músicos estavam em uma sintonia virtuosa, aliando desde a bateria seca com o console de videogame sem se desconectar do ritmo que existia, não enquanto proposta para uma música, sim para performance do grupo.

As pausas entre os três trabalhos, era preenchida com o programa IN-termezzo, momento em que as peças de escuta selecionadas eram ouvidas pelo público presente. Enquanto a produção preparava o espaço para os artistas, o auditório era tomado pelos trabalhos de Yamila Ríos, Pablo Bachmann, Sergio Luque, Hugo Paquete e Matias Giuliani. Em silêncio e na penumbra, os presentes sentados consumiam atentos cada uma das composições.

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Todo material e informação sobre o IN Sonora VII, pode ser conferido atrvés do site do evento que permanceu ativo durante toda a sua programação, os eventos e performances ao vivo foram transmitidos através de live stream e cada exposição teve o seu registro. Dia 29 de abril a sétima edição finaliza o seu percurso no espaço Matadero e ficamos no aguardo da chamada de envio de trabalhos para a oitava edição.

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