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segunda-feira

11

junho 2012

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Postmasters e Bitforms, galerias pioneiras na comercialização da arte digital

Escrito por , Postado em Destacadas, Estéticas Tecnológicas, Mercado da Arte Digital

wooden mirror daniel rozin

A história da comercialização da arte digital é ainda recente e, no mercado da arte contemporânea, por enquanto encontra muitos obstáculos para se estabelecer como um bom produto de investimento. Muitos ainda são céticos e consideram que o melhor da arte digital, especialmente a net.art, é desfrutá-la gratuitamente. Outros ainda não consideram a arte efêmera como algo em que se deva investir. Além disso, o fato de que exija manutenção e necessidade de adequação a novos sistemas interativos podem se constituir em entraves para sua venda.

Galerias como Postmasters e Bitforms de Nova York foram (e ainda são) fundamentais na abertura do espaço para a compra e venda da arte digital no mercado da arte contemporânea.

Postmasters Gallery, pioneira na introdução das artes digitais no mercado da arte contemporânea

Electric Paint 2.0, Mike Berardino, 2011 (Postermasters Gallery)

A Postmarters Gallery de Nova York é uma das pioneiras na introdução das artes digitai no mercado da arte contemporânea. Seus diretores Magdalena Sawon e Tomas Banovich abriram o primeiro espaço no East Village em 1984, depois se transferiram para Soho em 1989 e finalmente se instalaram no Chelsea, em 1998.

O interesse pela arte digital surgiu em 1995 e durante anos foi a única galeria de Nova York a expor formas emergentes de expressão artística. Desde então já expôs e negociou obras de artistas como Jennifer e Kevin McCoy, Omer Fast, Eddo Stern, Guy Ben-Ner, Natalie Jeremijenko, 0100101110101101.ORG (Eva e Franco Mattes) e Wolfgang Staehle.

Na Postmasters, a primeira exposição de arte digital, Can You Digit?, ocorreu em março-abril de 1996. Foi essa uma mostra que contou com mais de 30 obras de artistas que vinham experimentando as novas tecnologias como meio para criação. Em disposição oval, 23 monitores exibiam as obras. Mouses e auriculares estavam disponíveis quando necessário. Dentre os artistas que participaram com a apresentação de seus projetos estavam Lev Manovich, i/o360, Janine Cirincione e Michael Ferraro, Erik Adigard/MAD, Laurence Arcadias, George Legrady, Stephen Linhart, Gerard Lynn, Thomas Miller, Ursula Endlicher, Terbo Ted, Mark Madel, post tool design, pixelpeppy.

Embora conceitualmente difícil de compreender, a arte digital é esta uma produção cultural de nosso tempo.Para os curadores Tomas Banovich e Coupland Ken, Can You Digit? teve sua importância por introduzir a arte digital no mercado da arte contemporânea, mostrando, especialmente aos colecionadores, a necessidade de valorizar o efeito estético da arte digital.

Um dos grandes problemas para a introdução da arte digital no mercado da arte contemporânea é o fato de que muitas de suas obras não se apresentam como um objeto tangível. Os formatos específicos da obra pode se tornar um problema, seja pois não se tornam tão atrativas para os colecionadores acostumados a investir em pinturas, esculturas e fotografias. Sua manutenção pode se constituir em um obstáculo para seu comprador.

Uma das soluções encontradas pelas galerias que já comercializam arte digital, e este é o caso da Postmasters Gallery, é comercializar a obra digital em impresso digital ou como vídeo de uma peça interativa disponibilizado em CD. Certamente, tal prática é válida pois contribui para criar um nicho de mercado para esse tipo de arte. Contudo, esta não deveria se constituir em uma prática duradoura, posto que é também importante que os colecionadores se interessem por comprar a obra real, tal como foi concebida.

Can You Digit?, Postmasters Gallery

Na Postmaster Gallery, em entrevista a Paul Walder, seus diretores Magdalena Sawon e Tomas Banovich contaram já ter colocado muitas cápsulas do tempo de Wolfgang Staehle e obras de bases de dados de Jennifer e Kevin McCoy em coleções públicas e privadas. Também apresentaram complexas instalações de vídeo de Omer Fast em museus e coleções privadas de todo o mundo, bem como obras de Eva e Franco Mattes (0100101110101101.ORG). Embora garantam não influenciar o artista sobre o melhor formato da obra para adequá-la aos interesses do mercado, afirmam considerar a arte digital como qualquer outro objeto reproduzível, de maneira que possam ser vendidas como objetos tangíveis. Por exemplo, edições das instalações de vídeo multicanal de Omer Fast, bem como as vídeo performances de Second Life de Eva e Franco Mattes, que são entregues a colecionadores como arquivos de filme em disco duro com instruções de exposição. Além disso, Postmasters Gallery já distribuiu obras a instituições como Tate Modern, Guggenheim e Metropolitan Museum, que já dispõem de especialistas na conservação da arte digital, os quais asseguram a conservação da tecnologia e a migração dos dados a novo sistema operativo caso seja necessário. Aos colecionadores privados é oferecido suporte direto, a fim de garantir a manutenção e proteção da obra de modo devido.

Bitforms, a primeira galeria dedicada à comercialização da software art

Bitforms de Nova York é considerada a primeira galeria concebida e construída para expor arte digital e software art. Inaugurada em 2002 por Steve Sacks, Bitforms explora as diferentes tendências da arte digital com o objetivo de definir novas categorias de obras que interpretam, manipulam e visualizam a informação de uma forma inovadora. A intenção é desconstruir o mito de que a arte digital não pode ser vendida e educar os colecionadores da nova e da velha escola.

Steve Sacks, diretor da Bitforms Gallery

Dentre as categorias de arte exibidas e comercializadas pela Bitforms estão a escultura reativa, a visualização de dados, as instalações de sons e vídeo, as esculturas digitais, as fotomanipulações , os meios mistos, a software art. Dentre os artistas que representam estão Jeffrey Blondes, Daniel Canogar, Claudia Hart, Lynn Hershman, Yael Kanarek, Rafael Lozano-Hemmer, Manfred Mohr, Daniel Rozin, Lincoln Schatz.

A categoria marca de negociação da galeria é a software art. Os objetos dessa arte necessitam ser sólidos e de prática manutenção, logo, mais fácil de colecionar. O colecionador compra a obra com garantia e manual detalhado de sua conservação. Os trabalhos se vendem em framed ou unframed software art, sendo aqueles mais caros que estes. Isso porque, na framed software art, existe o controle total por parte do artista, da forma como a obra de arte funcionará e será apresentada. A unframed software art é vendida em CD assinado pelo artista e acompanhada de instrução sobre como apresentar o trabalho. As criações artísticas podem, ainda, utilizar a conexão internet ou de rede.

Após ter conseguido realizar uma excelente venda para o Walkerhill Hotel, em Seoul, Sacks decidiu abrir uma segunda galeria na capital sul-coreana. O hotel adquiriu várias obras da Bitforms, dentre as quais a versão mural de Wooden Mirror, de Daniel Rozin, uma obra que utiliza uma câmera de vídeo escondida e um software que permite a cada um que se coloque diante do espelho ver sua própria imagem refletida em 1.500 pixels.

Wooden Mirror, de Daniel Rozin

Já aclamado pela Wired como o rei da arte digital, Sacks parece querer fazer história como o primeiro galerista dedicado exclusivamente à venda desse tipo de arte. Em 2005 lançou uma galeria on line que vende apenas software art (www.softwareartspace.com/). Após a compra, a obra chega em casa dentro de um pacote e com as instruções técnicas para que o colecionador possa tirar o maior proveito do bem adquirido. Sua intenção é a de transformar os hábitos de fruição da arte, levar o público a apreciar a arte de tal modo que, no futuro, possamos ter pinturas digitais em nossas paredes e possamos, desde nossas casas, interagir com obras multi-usuários, colaborando para a sua realização.

Embora tratemos em outro momento da formação de uma economia de mercado da arte digital, já nos damos conta que um dos maiores problemas é a insistência das galerias de inseri-la na lógica do mercado de compra e venta de arte (pintura, escultura, fotografia): o intercâmbio de bem material. Para tal, artistas devem transformar (ou gerar réplicas) objetuais transportáveis e tangíveis de seus projetos interativos ou bem realizar grandes e valiosas fotografias de snapshots do que acontece no processo on line.

Consulta:

http://www.postmastersart.com/

http://www.bitforms.com/

http://www.pauwaelder.com/?p=273

http://vimeo.com/bitforms

http://www.artfutura.org/02/sacks.html

http://www.softwareartspace.com/

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