TecnoArteNews

Notícias sobre cultura e arte contemporânea

terça-feira

22

janeiro 2013

0

COMENTÁRIOS

Circuitos Cruzados: o Centre Pompidou encontra o MAM

Escrito por , Postado em Destacadas, Eventos, Exibições, Exposições

Interface (1972), de Peter Campus

Circuitos Cruzados: o Centre Pompidou encontra o MAM, sob curadoria de Paula Alzugaray e Christine Van Assche, apresenta cinco videoinstalações históricas de nomes como Nam June Paik e Bruce Nauman que se relacionam com obras de artistas contemporâneos brasileiros.A exposição “aborda questões políticas e subjetivas como identidade, simulação, confronto e vigilância no diálogo entre os acervos do Pompidou e do MAM e tem abertura no dia 22 de janeiro de 2013″. Segue abaixo o release e o texto de apresentação da mostra.

Cinco videoinstalações históricas de nomes como Nam June Paik e Bruce Nauman se relacionam com obras de artistas contemporâneos brasileiros na mostra Circuitos cruzados: o Centre Pompidou encontra o MAM

Exposição com curadoria de Paula Alzugaray e Christine Van Assche aborda questões políticas e subjetivas como identidade, simulação, confronto e vigilância no diálogo entre os acervos do Pompidou e do MAM e tem abertura no dia 22 de janeiro de 2013 (terça-feira)

O Museu de Arte Moderna de São Paulo abre sua programação de 2013 com uma exposição que possibilita novas  leituras de  seu  acervo  por meio do diálogo com cinco videoinstalações históricas da coleção do Centre Pompidou (Paris).  Circuitos cruzados: o Centre Pompidou encontra o MAM traz cerca de 50 obras de artistas como Nam June Paik, Bruce Nauman, Cildo Meireles e León Ferrari e tem abertura no dia 22 de janeiro (terça-feira), a partir das 20h. O patrocínio master é da Biolab e o patrocínio é da Leroy Merlin. Além das cinco videoinstalações do acervo do Pompidou, será exibida na abertura Norte sul leste oeste, obra comissionada com recursos do Núcleo Contemporâneo do MAM ao norte-americano Tony Oursler, que consiste em uma projeção de rostos falantes nas árvores do Parque Ibirapuera, gerando a sensação de que as próprias árvores estão falando com o público.

Interface (1972), de Peter Campus

Interface (1972), de Peter Campus

A exposição resulta de um processo iniciado em 2008, quando Paula Alzugaray foi convidada para atuar  três meses como pesquisadora no Service Nouveaux Médias (o acervo de novas mídias do centro de arte francês), do qual Christine Van Assche é curadora. A parceria possibilitou criar uma exposição inédita e exclusiva para o MAM com peças históricas do acervo do Pompidou, trazendo à tona um debate que utiliza os diferentes suportes e as diferentes temáticas presentes na seleção como base para evidenciar tópicos como identidade, cidadania, geopolítica, simulação, confronto e vigilância.

Na definição de Christine Van Assche, a participação do Pompidou na mostra “consiste numa escolha precisa de obras dos anos 1960-70 nas quais o dispositivo, o vídeo, a imagem em movimento, o som no espaço e o circuito fechado são utilizados por artistas minimalistas e conceituais [...]. Estas obras estabelecem relações com trabalhos contemporâneos da coleção do MAM, que datam dos anos 1970 até hoje, mesclando todas as áreas e suportes”.

Amnésia (1991), de Rosângela Rennó

Amnésia (1991), de Rosângela Rennó

Segundo Paula Alzugaray, “a diversidade de llinguagens e suas relações com o vídeo foram o primeiro aspecto que norteou a seleção de obras do acervo do MAM. O trabalho com palavraschave [...] permitiu flexibilizar fronteiras entre mídias e, assim, contemplar na curadoria obras de todos os suportes”. Essas palavras-chave que serviram como premissas de pesquisa e conexão entre ambos acervos estarão espalhadas pelas paredes do espaço expositivo, “convidando os visitantes a estabelecer suas próprias teias de relações entre os conceitos e as obras” (Paula Alzugaray). São essas cinco videoinstalações de grandes dimensões que servem como  condutoras  do projeto expográfico, formando  cada uma  núcleos com as obras do MAM com as quais se relacionam. O primeiro deles baseia-se na obra The American Gift (1975) de Vito Acconci, que em sua disposição espacial remete à ideia do Cavalo de Troia, daí seu nome, trazendo consigo a problemática do encontro entre culturas e da colonização e pós-colonização. A obra entra em diálogo com trabalhos de Anna Bella Geiger, Lenora de Barros e a dupla Mauricio Dias e Walter Riedweg.

Dan Graham, Present Continuous Past(s) (1974)

Present Continuous Past(s) (1974), de Dan Graham

No segundo núcleo,  o centro é o dispositivo  Interface (1972), de Peter Campus, em que o espectador tem projetada sua imagem real e, simultaneamente, um duplo quase espectral, numa abordagem de questões  sobre percepção identitária  e representação. A instalação  Amnésia (1991), de Rosângela Rennó, é das obras que se relacionam com a videoinstalação. A obra de Dan Graham, Present Continuous Past(s) (1974), explora o conceito do cubo branco imersivo, no qual o espectador é gravado e vê sua imagem reproduzida várias vezes, o que o torna ao mesmo tempo objeto e visualizador da obra. O Rio (2006), de Artur Lescher, é um dos trabalhos que permeiam o núcleo.

O Rio (2006), de Artur Lescher

O Rio (2006), de Artur Lescher

Uma das obras emblemáticas de Bruce Nauman, Going Around the Corner (1970) também parte do cubo branco, que aqui não permite imersão, mas se fecha ao espectador, mantido ao redor dele. Câmeras de vigilância posicionadas nas quinas superiores do cubo captam a imagem do público e reproduzem em um dos monitores posicionados nos cantos e no  chão. A curadoria selecionou, entre outras, a instalação  Inmensa (1982), de Cildo Meireles, para estabelecer paralelos.

Finalmente, o coreano-americano Nam June Paik figura na mostra com a filosófica Moon is the Oldest TV (1965), em que televisores reproduzem um simulacro das variações das fases da Lua, na verdade uma construção técnica a partir do sinal eletrônico emitido pelos monitores catódicos.

Moon is the Oldest TV (1965), Nam June Paik

Moon is the Oldest TV (1965), Nam June Paik

Felipe Chaimovich, curador do MAM, ressalta um outro aspecto da mostra, a “evidenciação da sensação de vigilância que as obras trazem em si”, pelo próprio caráter de reprodução da imagem do público nos monitores e pela própria natureza do vídeo, que pressupõe o registro de todas as atividades ocorridas em seu escopo e, com isso, possibilita um controle e uma opressão de atividades não incluídas na normatividade cotidiana.

Pelas diversas indagações que a exposição traz e por seu ineditismo, Circuitos cruzados dá ao espectador a chance de levar para o cotidiano e o mundo em que vive uma visão ampliada de questões da atualidade.

*****

Para saber mais:

Circuitos Cruzados: o Centre Pompidou encontra o MAM

A exposição Circuitos Cruzados: o Centre Pompidou encontra o MAM é a reunião de duas coleções relativamente diferentes: a do Centre Pompidou, que cobre todos os estilos artísticos e obras oriundas de diversas culturas – principalmente a ocidental, mas também a asiática, a sul-americana, a africana – e abrange dois séculos; e a coleção do MAM São Paulo que aborda a cena moderna e contemporânea brasileira.

Para esta exposição, foram selecionadas cinco instalações icônicas dos anos 1960-70 que fazem parte da coleção do Centre Pompidou, a maioria funcionando em circuito fechado, a tecnologia de vídeo dos sistemas de vigilância contemporâneos. Estas instalações colocam o espectador diante de alguns desafios nos planos sensorial e intelectual.

Cada uma das seis seções que compõem a mostra baseia-se em uma instalação – de Vito Acconci, Peter Campus, Dan Graham, Bruce Nauman e Nam June Paik, além da obra encomendada a Tony Oursler –, e estabelece uma relação com obras contemporâneas da coleção do MAM dos anos 1970 até hoje; todos os campos e suportes são combinados.

Cada seção está cercada por uma nuvem de palavras-chave que funciona como língua comum de intercomunicação entre os trabalhos. A escolha desse sistema para estabelecer conexões entre as coleções permite-nos ampliar o espectro de reflexão e diluir as fronteiras entre as mídias incluídas na exposição. Ao longo do circuito da mostra, o espectador vai encontrar essas palavras inscritas nas paredes, e a partir delas poderá tecer suas próprias redes de relações.

Esta exposição é o resultado de um intenso diálogo entre duas curadoras. Em Paris, Christine Van Assche, curadora-chefe do Centre Pompidou; em São Paulo, Paula Alzugaray, curadora independente e editora. Desde o início dessa dinâmica, há mais de dois anos, vimos a necessidade de promover uma reunião das coleções, reconhecendo suas particularidades, suas afinidades, suas diferenças. A dimensão política de Circuitos Cruzados consiste no diálogo – entre instituições, países, artistas, mídias e gerações – e no compartilhamento de estratégias e políticas culturais.

Christine Van Assche e Paula Alzugaray
Curadoras

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>