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sexta-feira

9

dezembro 2011

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Debates sobre cultura digital no MAM RJ incluem experiências da Funarte

Escrito por , Postado em Encontros, Eventos

Tecnociência arte cultura Inovação

Debates sobre o papel da cultura e das artes nos atuais processos de inovação movimentaram o Museu de Arte Moderna (MAM) – Rio de Janeiro – nos ‘Desafios da Arte em Rede – I Rodada em Cultura, Arte, Tecnociência e Inovação’, no dia 1º de dezembro. Com o tema “A Funarte e os laboratórios de cultura, arte e tecnologia”, a Diretora do Centro de Programas Integrados da Funarte (Cepin), Ana Cláudia Souza, foi uma das palestrantes, em um dos painéis-debate. Realizado pelo Ministério da Cultura, Funarte e Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), ‘Desafios da Arte em Rede’ tem parceria com o Festival Internacional CulturaDigital.Br,realizado de 2 e 4 de dezembro, também no MAM Rio e no Espaço Odeon, na Cinelândia. Além das mesas-redondas, houve um espetáculo de arte telemática, realizado simultaneamente em várias cidades, e uma performance cênica.

Nas boas-vindas aos participantes, José Murillo coordenador-geral de Cultura Digital (SPC/MinC) lembrou que a função do evento é aproximar mundos bem distintos: o da arte e cultura e o da pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, provocando a interação das duas comunidades. Além de Ana Cláudia Souza, compuseram o “Painel das ações MinC/RNP” Sérgio Mamberti, secretário de políticas culturais do MinC, Américo Córdula, diretor de Estudos e Monitoramento de Políticas Culturais (SPC/MinC), Paula Santana, secretária de Audiovisual (SAV/MinC) e José L. Ribeiro Filho, diretor da RNP.

Nas fronteiras da arte - Ana Cláudia situou a Funarte na esfera da cultura digital. Ela apresentou as inovações da instituição em arte e tecnologia, num histórico de ações e resultados. A jornalista falou de ações específicamente voltadas para o digital, apresentou alguns exemplos de premiados, e pontuou desafios da instituição. Ao apresentar o Centro de Programas Integrados, a diretora comentou que ele é também direcionado à formulação de políticas e gestão de programas situados na intersecção da arte com os outros campos de conhecimento (como educação, ciência, memória e sociedade). “A Funarte tem desenvolvido prêmios e bolsas de estímulo à criação e à reflexão, e proposições transversais, entre arte, e tecnologias digitais”, lembrou. Como exemplo, citou a Rede Nacional Funarte de Artes Visuais, criada e gerenciada pelo Centro de Artes Visuais (Ceav); o Prêmio Funarte Klauss Vianna (Coordenação de Dança), que já contemplou iniciativas que unem dança a arte e tecnologia em computação, e de videodança; e, em parceria com a SCC/MinC, o Prêmio Interações Estéticas (Cepin) – que promove residências artísticas em pontos de cultura.

“Neste último, pelo menos 15% de um total de 357 prêmios em três edições (desde 2008) envolveram formação, capacitação, criação ou reflexão, com foco em novas tecnologias da comunicação ou de produção digital. Eles propuseram inovações nos pontos de cultura, na difusão dos seus produtos e processos”, informou Ana. “Em 2010: foi criada a Bolsa Funarte de Produção Cultural para a Internet, para apoiar a produção de pesquisas e obras de artes integradas, no ambiente da internet, exclusivamente. Isto inclui design, manutenção e/ou hospedagem de páginas de natureza cultural, inclusive bancos de dados, acervos digitalizados, periódicos trabalhos de netarte ou webarte”, comemorou. A diretora apresentou exemplos de premiados, tais como um mapeamento da arte pública em São Paulo (capital) e dois projetos de arte-educação e diversidade cultural, por meio das novas tecnologias.

Acervo na Internet - Um dos maiores destaques foi a criação do Portal das Artes (2009) – ferramenta oficial de comuicação da Funarte – e da área “Brasil Memória das Artes” (2010) – que disponibiliza ao público fotos, vídeos e áudios do Centro de Documentação da Funarte. “Em 2011, a Fundação passou a integrar o Grupo de Trabalho de Arte Digital do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC). O Cepin é o interlocutor”, disse Ana Cláudia. Ela qualificou, ainda, como fundamentais,a participação da Funarte nos Fóruns de Cultura Digital e a conexão à RNP – ela foi a primeira rede de acesso à Internet no Brasil. Criada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, integra cerca de 600 instituições de ensino e pesquisa no país – . “Foi também importante participarmos do simpósio sobre digitalização de acervos (RNP/MinC), onde foram debatidos os processos, o armazenamento de arquivos e os formatos de difusão”, sublinhou. Ana comemorou, também, graças a conexão com a Rede, a breve implantação do primeiro Laboratório de Desenvolvimento de Arte e Tecnologia, na sede da Funarte, no Rio. “Um dos desafios é definir modelos de uso e ocupação dos Laboratórios nas unidades da Fundação conectadas pela RNP: Brasília, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro”, concluiu.

Cultura digital – governo e sociedade em rede - Sérgio Mamberti comentou que o encontro “Desafios da Arte em Rede” têm o valor de ativar a transdisciplinaridade entre as artes e as tecnologias. O secretário fez uma cronologia do processo de estímulo à cultura digital no Ministério – desde 2003. “Ela era, naquele início, um horizonte, uma perspectiva. Hoje é realidade e o setor de cultura digital do MinC teve forte participação nisso. Desde 2004, a Secretaria de Políticas Culturais legitimou esta vertente, ainda de modo informal, e o MinC passou a trabalhar com ela, através de blogs, fóruns e redes sociais. Eles crescem até hoje e criaram um processo em rede, cooperativo. A primeira iniciativa de governo neste sentido foi o blog Cultura Digital (www.culturadigital.br), uma plataforma aberta e colaborativa. A proposta foi e é criar um ambiente de participação qualificada, que possibilite formas de governança compatíveis com a sociedade em rede – uma administração colaborativa”, disse. O secretário destacou ainda o programa de digitalização de obras de arte: “Quando fui presidente da Funarte pude acompanhar e estimular esta atuação”.

Mamberti lembrou que, em 2010, foi criada a Secretaria de Cultura Digital, o que oficializou o trabalho. “Ele deixou ser de projeto para tornar-se, de fato, política pública. Um exemplo de ação do MinC é a elaboração de um amplo banco de dados sobre bens, serviços e profissionais de cultura, o Sistema Nacional de Indicadores Culturais (SNIC)”, informa. O sistema se conectaria ao mundo, a partir da convenção internacional sobre informação digital da Unesco, programada para 2012. Outro exemplo citado foi o Registro Unificado de Obras – plataforma digital com todas as informações sobre artes e artistas, na qual estes definiriam as bases sobre as licenças de uso de suas obras.

Segundo Mamberti, a SPC/MinC concluiu, em 2011, uma parceria, entre o MinC, o MEC e a sociedade civil, num projeto de políticas integradas, para os próximos dez anos. “Afinal, o papel do Estado no meio digital é estratégico. Buscamos sintonia com o interesse público, para responder às necessidades de informação das pessoas. Ela é fruto da maturação das reflexões, em conjunto com a sociedade, que fortaleceu um ambiente de sinergia, colaboração e, sobretudo, transparência”, avaliou.

Diversidade e espetáculo on line – Américo Córdula ressaltou que a cada dia surgem novas demandas, de diversos segmentos sociais, relacionadas ao uso dos meios digitais. “Categorias profissionais, grupos de culturas tradicionais, como os indígenas, os quilombolas e os povos de terreiro [ritos de influência afro-ameríndia] estão entre eles”, detalhou.

Ao final do encontro, foi apresentado o espetáculo ‘Frágil’, do NANO – Núcleo de Arte e Novos Organismos (EBA/Ppgav/UFRJ), realizado ao mesmo tempo em três capitais, com acompanhamento presencial do público e transmissão simultânea, via Internet, através de uma ferramenta computacional, de arte telemática. O espetáculo é composto de uma instalação performativa do grupo cearense LPCA (UFC) e uma performance cênica do Grupo de Pesquisa Poéticas (CE).

Via @Funarte

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