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quarta-feira

15

maio 2013

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Individual do fotógrafo brasileiro Vicente de Mello no Contretype, Bruxelas

Escrito por , Postado em Eventos, Exibições, Exposições

epitaphe vicente de mello fotografia

Vicente de Mello foi o primeiro fotógrafo brasileiro convidado a participar da residência no Contretype. A série Silêncio da Cidade foi o resultado da “imersão fotográfica” que ele apresenta em uma mostra individual no Espace Photographie Contretype em Bruxelas.

epitaphe vicente de mello fotografia

“Epitaphe”, Vicente de Mello

Leia o texto de Vicente de Mello sobre a série Silêncio da Cidade:

Silêncio da Cidade

Meu período de residência no Espace Contretype, foi uma experiência como em um atelier em campo aberto, com Bruxelas no papel principal.

Foi minha segunda visita a Bruxelas, a primeira em 1999, quando passei 48 horas na cidade e a considerei uma joia europeia.

Agora em 2012, notei a uma questão cultural, que é a do silencio da cidade, o que difere e muito, das cidades brasileiras, onde a presença das pessoas sempre é marcada pela profusão de sons que elas criam. Este silencio, foi a fio condutor para “encontrar” minhas imagens, que se desvelavam para mim, a cada caminhada que eu fazia.

vicente de mello fotografiaVocê pode ter todo o seu tempo, para si, pois estava sozinho nos dias e nas noites de Bruxelas, o tempo é disponibilizado para a fotografia, nos pequenos passeios como escafandrista, ou nos momentos de Music3, à noite, quando o frio extremo lhe faz conviver com seus demônios internos.

À luz do sol, um profundo reconhecimento dos reflexos e das sombras da cidade, que revelam outro universo, secreto como um filme noir, onde perigo, mistérios e segredos se escondem nas penumbras.

Bruxelas diz: Decifra-me ou te devoro. Esta foi a sensação de estar vivendo em outro lugar, onde não há mais tempo para contemplação, cada fotografia é uma “terra conquistada”, uma representação do mundo para mim mesmo, com sua intencionalidade, ao ver a minha posição diante da natureza demolidora do espaço, para depois ser construída e articulada por quem a vê.

As imagens realizadas para a Contretype se tornaram uma nova série, Silêncio da Cidade, a qual pretendo expandir para outras capitais da Europa.

Fotografei em preto e branco,  com uma câmera Rolleiflex, assim com o em minhas series anteriores,  La Nuit Americane, D´áprés, Contrejour e Galatic.

Todas as minhas fotografias são nominadas, identificadas por um nome que a relacionam com o dizível e o visível, como a narração de sua picturialidade, reforçando a expressão da ideia contida na representação, assim é o desenho da palavra, dita ou lida.

O acaso é o melhor acerto, medir a luz mentalmente, expor a câmera contra a luz, arriscar, saber que não poderá fazer de novo, mas você faz, para ver depois como é que ficou me sinto diferente do escritor que escreve e apaga do ator teatro que experimenta a cada  apresentação, como  fotógrafo, decifrei  Bruxelas.

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