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quinta-feira

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maio 2012

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Mostra Emoção Art.ficial aponta para os desafíos da arte digital e tecnológica

Escrito por , Postado em Destacadas, Encontros, Eventos, Exibições, Exposições

emocao artificial

São Paulo (SP) - O Itaú Cultural promove, a partir do dia 30 de maio, a sexta edição da Bienal Internacional de Arte e Tecnologia – Emoção Art.ficial 6.0, composta, como todos os anos, por uma exposição e um simpósio. Neste ano, a mostra, que poderá ser visitada até 29 de julho, apresenta dez obras decorrentes do trabalho de 13 artistas nacionais e internacionais.

A proposta é criar um “espaço de convivência” voltado tanto para obras realizadas com novas mídias – arte com seres tecnológicos (robôs, organismos sintéticos), expressões artísticas calcadas em mídias técnicas (computadores, celulares) – como para trabalhos elaborados em suportes tecnológicos considerados já tradicionais na arte contemporânea, mais especificamente o cinema e o vídeo.

“É a arte que deve surpreender, não importando se ela faz uso de técnicas mais antigas ou de tecnologias de ponta. Entretanto, não há como negar a existência de novas formas poéticas que advêm dessas tecnologias mais recentes, mais próximas do nosso dia a dia. A surpresa, muitas vezes, está em ver outras finalidades para algo que hoje é corriqueiro”, salienta Marcos Cuzziol, gerente do núcleo de Inovação do Itaú Cultural.

A mostra não pretende se posicionar partidariamente, ou prever relações entre a “new media art” e a “mainstream contemporary art”, até porque conexões já estão sendo estabelecidas à revelia de teóricos, críticos e curadores. “Na verdade, falar em uma aproximação diplomática entre os dois sistemas de arte é desnecessário e, talvez, até impertinente, já que ambos nunca estiveram tecnicamente separados”, comenta Guilherme Kujawski, coordenador do núcleo de Inovação do Itaú Cultural.

O Simpósio Internacional Emoção Art.ficial 6.0 foi concebido pelo curador e pesquisador Fernando Oliva. Os debates são plurais e abrangem temas diversificados como a antropologia e a psicanálise; a afinidade de Dominique Gonzalez-Foerster com a ficção científica, presentes tanto na literatura de Adolfo Bioy Casares, Roberto Bolaño e Enrique Vila-Matas como no cinema de Jean-Luc Godard e Andrei Tarkovski; a tecnologia como possibilidade de comunicação entre o mundo dos vivos e dos mortos; e a reflexão sobre como as redes sociais podem ser entendidas como uma forma de pornografia (uma espécie problemática de mediação das atividades sociais – inclusive do sexo).

A sexta edição de Emoção Art.ficial revela apenas uma tênue demarcação de territórios, sem pretender remarcar, demarcar ou mesmo “desterritorializar” esse ou aquele universo. Tem, apesar disso, um espírito conciliador, ecumênico e poético, mas antes de tudo contemporâneo.

Veja abaixo a programação completa do Simpósio Internacional Emoção Art.ficial 6.0:

quinta 31 maio

19h30 apresentação de Fernando Oliva e Guilherme Kujawski e
palestra de abertura com Laymert Garcia dos Santos (Tecno-Estética: Repensando as Relações entre Arte e Tecnologia)

O encontro, inicialmente, procura indagar por que toda uma gama de obras que relacionam arte e tecnologia é conceitualmente inconsistente, e por que essa associação deve ser repensada. Num segundo momento, busca-se mostrar que é possível converter a negatividade desse vínculo em positividade, por meio do conceito de tecno-estética, do filósofo Gilbert Simondon. Por último,  para exemplificar a problemática, a palestra recorrerá às criações digitais do artista André Favilla e às experimentações de Leandro Lima e Gisela Motta.

Laymert Garcia dos Santos é professor da Unicamp e doutor em ciências da informação pela Universidade de Paris 7. Estuda sociologia da tecnologia e é autor de diversos textos sobre as relações entre tecnologia e cultura. Entre 2006 e 2010, com Peter Ruzicka e Peter Weibel, foi diretor artístico da ópera multimídia Amazonas.

Fernando Oliva é curador, pesquisador e docente da Faculdade de Artes Plásticas da Faap. Integra a Comissão Curatorial do Videobrasil e editou o Caderno Videobrasil “Turista/Motorista”. Foi diretor da Divisão de Curadoria do CCSP e atuou como curador no Paço das Artes e no Museu da Imagem e do Som. Entre seus projetos recentes destacam-se O Retorno da Coleção Tamagni – Até as Estrelas por Caminhos Difíceis (MAM/SP, 2012, com Felipe Chaimovich), O Desvio é o Alvo (2011, com Luisa Duarte), entre outros.

sexta 1 junho

17h30 palestra com Lisette Lagnado (O Leitor do Futuro) e Arto Lindsay (Diferença e Repetição: um Novo Estatuto para o Sampling)
mediação Fernando Oliva

O Leitor do Futuro
(Lisette Lagnado)
É possível conquistar uma qualidade literária sem redigir um livro, mas, por exemplo, levando o visitante a fazer um percurso no parque? O encontro deixa algumas pistas para compreender a emergência de um novo espaço de fruição nas salas de exposição. Será analisada a obra de Dominique Gonzalez-Foerster e suas afinidades com a ficção científica, presentes tanto na literatura de Adolfo Bioy Casares, Roberto Bolaño e Enrique Vila-Matas como no cinema de Jean-Luc Godard e Andrei Tarkovski.

Lisette Lagnado é crítica de arte e doutora em filosofia pela USP. Foi curadora-geral da 27ª Bienal de São Paulo e organizou, em 2010, a mostra Desvíos de la Deriva para o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madri). Entre suas curadorias, destacam-se a Sala Especial de Iberê Camargo para a II Bienal do Mercosul (1999) e o Antarctica Artes com a Folha (1996).


Diferença e Repetição: um Novo Estatuto para o Sampling

(Arto Lindsay)
No encontro, Lindsay, a despeito da especulação sobre a extinção do sampling, discute como o recurso, se visto não como paradigmático e sim como uma entre várias novas tecnologias sonoras à disposição da música, ainda tem muito a oferecer. No lugar de constituir uma célula a ser repetida, o sample agora se apresenta como uma amostra a ser estudada. São as unidades fabricadas e suas pequenas variações, seu grão, que interessam. “Estamos deixando de ser hipnotizados pela repetição em si e passando a perceber e poder classificar as diferentes relações entre os elementos de uma formulação artística”, salienta o músico, que  também abordará sobre como procedimentos científicos e matemáticos são cada vez mais procurados para servir tanto como metáforas quanto bases para obras de arte.

Arto  Lindsay é músico e atuou como cantor, guitarrista, compositor e produtor de discos em Nova York. No final dos anos 1970 ele participou da banda DNA, que frequentava a cena underground de Manhattan. A partir da década de 1990 Lindsay passou a atuar em projetos de artes visuais. Atualmente, mora no Rio de Janeiro e concebe desfiles-performance, como na Bienal de Veneza de 2009, e outras manifestações sonoras, além de continuar ativo no campo da música.

19h30 palestra com ARCHIVE, coletivo de Chris Kubick e Anne Walsh (Uma Tarde com Joseph Cornell, da série Art After Death) e Mario Ramiro (Mídias Assombradas)
mediação Fernando Oliva

 An Afternoon with Joseph Cornellda série Art After Death
(ARCHIVE – Chris Kubick e Anne Walsh)
Anne Walsh e Chris Kubick terão como principal foco discorrer sobre a performance An Afternoon with Joseph Cornell. O trabalho parte de uma série de gravações de áudio que documentam entrevistas realizadas em 2002 com Joseph Cornell no Whitney Museum of American Art. O contato com Cornell foi feito a partir de médiuns profissionais que conversaram com o influente artista americano, que fala sobre sua obra, sua reputação, seu legado e seus sonhos. Anne e Kubick narram essa comunicação utilizando-se de slides de obras enigmáticas de Cornell, objetos efêmeros de papel, fotos de família, fotos históricas de suas “assombrações” pela cidade de Nova York, fotos publicitárias e temas afins. A narração inclui uma discussão das várias questões éticas e práticas envolvidas na realização da série Art After Death, da qual faz parte esta obra de Cornell: a combinação inusitada de historiadores de arte e médiuns; as estranhas “verdades” que surgem; o significado da palavra inspiração; a propriedade sobre o legado de um artista; e muito mais.

ARCHIVE é uma entidade de produção colaborativa dos artistas Anne Walsh e Chris Kubick. Produziu uma série de CDs, incluindo Conversations with the Countess of Castiglione, Yves Klein Speaks! e Visits With Joseph Cornell, e também instalações em exposições de galerias e museus, incluindo a Bienal Whitney 2002. Seu trabalho pode ser escutado na rádio pública nos Estados Unidos, no Canadá e na Inglaterra, e suas palestras já foram ministradas no Museum of Contemporary Art, de Los Angeles, no Getty Museum e, recentemente, no Institute for Surrealism Studies, em Essex, Inglaterra.

Mídias Assombradas
(Mario Ramiro)
O artista abordará sobre como na época do advento da telegrafia e das transmissões radiofônicas surge um novo sistema de crenças no mundo ocidental baseado na possibilidade de comunicação entre os vivos e os mortos. Da mesma forma, com a chegada da fotografia e de suas derivações, como os raios X, seria igualmente possível tornar visível o que antes era invisível ao olhar. Ao longo de mais de 150 anos, essa crença também se difundiu no universo da arte, seduzindo pintores, fotógrafos, escritores e poetas a revelar por meio de suas pesquisas pouco ortodoxas uma dimensão extrassensorial em nosso mundo sensível.

Mario Ramiro é artista multimídia. Foi integrante do grupo de  intervenções urbanas 3NÓS3. É mestre em fotografia e novas mídias pela Escola Superior de Arte e Mídia de Colônia, na Alemanha, e doutor em artes visuais pela USP. Trabalha atualmente como professor do Departamento de Artes Visuais e do programa de pós-graduação da ECA/USP. Integra o coletivo Kurokos.

sábado 2 junho

17h30 palestra com Rod Dickinson e Roberto Winter [Do Pornográfico ao Social (e de Volta)]
mediação Fernando Oliva

Reapresentação e Sistemas de Comportamento: The Milgram Re-enactment e Closed Circuit 
(Rod Dickinson)
Dickinson apresentará dois projetos: The Milgram Re-enactment (2002) e Closed Circuit (2010). A exposição aborda sobre como os dois projetos articulam e representam sistemas de comportamento e previsão que estão arraigados em muitas facetas da nossa sociedade contemporânea. Constituem assim o resultado e o legado do desenvolvimento dos sistemas de informação do pós-guerra que inscrevem o homem em situações e instituições que gerem e medem desempenho, escolha e produtividade. Isso, consequentemente, cria uma unidade sistêmica de homem e máquina unidos por meio de um processo de feedback fluido e contínuo. A apresentação estará centrada especificamente como a performance, a dramaturgia, a linguagem e a repetição podem ser utilizadas para interrogar e separar essa ontologia difusa.

Rod Dickinson é artista plástico e professor de mídia, cultura e prática na University of West England, em Bristol, e sua obra explora ideias de controle e mediação, focando a forma pela qual nosso comportamento é moderado por sistemas de feedback. Usando uma pesquisa detalhada de momentos do passado e do presente, o artista criou uma série de eventos meticulosamente reapresentadas que exploram situações e mecanismos que norteiam e guiam o comportamento.

Do Pornográfico ao Social (e de Volta)
(Roberto Winter)
Em 2008, pela primeira vez na história registrada da internet, o uso de redes sociais ultrapassou a procura por pornografia. Mais do que entender um possível fluxo de moralização dos usuários, pode-se sugerir a possibilidade de compreender as próprias redes sociais como uma forma de pornografia: uma espécie problemática de mediação das atividades sociais (inclusive do sexo). Ao se aprofundar nesse paralelo e traçá-lo mais claramente, a palestra tratará do lugar e do papel da arte em uma sociedade crescentemente “pornográfica” (cada vez mais mediada, principalmente, pelas manifestações das tecnologias de informação e comunicação), buscando refletir sobre os binômios ética-estética e radicalidade-cooptação, na relação da produção artística com o campo social.

Roberto Winter é artista. Formou-se em física pela USP. Participou de diversas exposições (como o 17º Festival Internacional de Arte Contemporânea Videobrasil e a mostra Mitologias, promovida pela Embaixada Brasileira em Paris). Atuou como curador na exposição À Sombra do Futuro, 2010, no Instituto Cervantes e é um dos editores da revista de crítica de arte Dazibao.

19h30 palestra de encerramento com Axel Stockburger

O Condicionamento Pós-Guerra – Uma Perspectiva Tecno-política da Arte Contemporânea
(Axel Stockburger)
No rastro de um novo milênio, o campo das artes em relação à mídia passou por mudanças significativas que levaram os comentaristas a proclamar o estado de uma “condição pós-mídia”. É necessário, portanto, determinar a reconfiguração das práticas artísticas e suas estruturas tecno-políticas subjacentes diante das ondas de crises decorrentes do capitalismo global. Como o crescimento e fortificação das redes sociais e dos universos corporativos de conteúdo organizado – como o Kindle da Amazon ou o iTunes – afetam formas de arte que estão voltadas para um posicionamento crítico em relação aos efeitos sociopolíticos da mídia? Que posições aparecem no cenário em dinâmica transformação das lutas de poder entre os conceitos corporativos de propriedade intelectual e as inúmeras formas de culturas “Shanzhai” virtuais e materiais e o seu desafio às formas tradicionais de autoria? O que está em jogo no caso da arte contemporânea quando o paradigma da democracia representativa está sitiado enquanto novos significados do comum surgem na forma de fervilhantes atividades anônimas e movimentos como Ocupem Wall Street?

Axel Stockburger é artista e teórico. Mora e trabalha em Viena. Em 2006, recebeu seu título de doutor da University of the Arts, de Londres, explorando o tema da espacialidade nas culturas de jogos digitais. Atualmente, faz parte do Departamento de Arte Mídia Digital da Academy of Fine Arts (Viena).

Serviço

sala itaú cultural 247 lugares

[indicado para todas as idades] L

visitação
quinta 31 maio a domingo 29 julho 2012
terça a sexta 9h às 20h
sábado domingo feriado 11h às 20h

pisos 1, -1 e -2

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