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terça-feira

13

março 2012

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Mostra “São Paulo Mon Amour” no MuBE

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sao paulo mon amoour mube

MuBE (Museu Brasileiro da Escultura) abriga, entre os dias 13 de março e 01 de abril, a exposição coletiva “São Paulo Mon Amour”. Os artistas Gal Oppido, Rogério Canella, Breno Rodrigues, Paulo Ito, Zezão, Caecilia Tripp, Djan Ivson, Xavier Faltot e Alessandra Cestac produziram obras inspiradas na metrópole da cidade, mostrando como São Paulo é vista por brasileiros e franceses.

A mostra foi exibida pela primeira vez em Paris, em 2009. Além de partes das obras apresentadas na capital francesa, a exposição no MuBE a vídeo-arte de Xavier Faltot e de Caecilia Tripp, e as fotografias da construção da linha 4 do Metrô de Rogério Canella, estarão expostos trabalhos fruto da residência artística em Montmartre, com ensaios concebidos entre Gal Oppido e a Alessandra Cestac. Haverá, ainda, obras de novos artistas brasileiros: Djan Ivson,  Paulo Ito e Breno Rodriguez.

O vaxio e a multidão, a experiência cosmopolita e o deslumbramento do apaixonado pela metrópole são algumas das temáticas presentes nos trabalhos dos artistas.

ARTISTAS

Alessandra Cestac (Residência em Paris) é paulistana filha de argentinos, artista como o seu pai, atua com toda sorte de suportes. Sua obra almeja restituir a autonomia do feminino diante o olhar masculino, para tanto coordena o fotógrafo e tenta não se portar simplesmente como modelo, sempre submissa ao olhar do homem, soberano na sexualização do corpo da mulher. Trabalhando com a fotografia realizou intervenções urbanas onde coloca a delicadeza de seu corpo nu sobre a brutalidade do concreto, e além do que vemos pela cidade, na SPMA criou a instalação do quarto que condensa a solidão contemporânea.

No MuBE ela apresentara os ensaios da nudez nos ícones de Paris: Louvre, Torre Eiffel, numa sintonia com uma bailarina clássica no Café Bar 11 em Belleville, nas ruas de Pigalle. O erotismo destas imagens trabalha com a espontaneidade cotidiana do corpo em ambiente clássico, dos movimentos precisos, delicados e rígidos de uma bailarina com a sedução de seu olhar, de seus gestos, de sua paixão pelo enredamento dos corpos.

Gal Oppido (Residência em Paris) é arquiteto, fotógrafo, músico e multi-artista. Autor de livros sobre a arquitetura e o urbanismo de São Paulo e presente nas coleções Pirelli no Masp, entre outras. Na SPMA explora a escala do macro e do micro da metrópole moderna em fotografias.

Suas obras na SPMA serão o fruto da residência dos artistas em Montmartre em parceria com Alessandra Cestac, revelados em ensaios fotográficos ocorridos durante tal estada.

Agora não foram para Paris absorver as tendências do estrangeiro, chegaram para irradiar comportamentos, desconstruir o clássico numa representação contemporânea do cotidiano da cidade. Foi a experiência do artista brasileiro na ocupação do espaço, como um vórtice sugando tudo ao seu redor. Os ensaios produzidos estiveram nos ícones da cidade, na Torre Eiffel, no Louvre, num café em Belleville, nas ruas de Pigalle, nas catacombes que esconderam Marat e trouxeram suas pragas na pele.

Partindo deste principio a exposição é uma critica à antropofogia de Oswald de Andrade, numa nova forma de reunir o nacional com o estrangeiro, entendendo ainda, que a antropofagia vislumbrada por ele com a referência dos nossos índios tupinambás é um tremendo engano, pois o canibalismo ali era um ritual para envolver a todos num ciclo de vingança entre as tribos guerreiras.

Breno Rodriguez dedica-se à criação artística desde 2007. Arquiteto de formação, o artista leva ao campo da arte procedimentos e materiais empregados em sua atividade anterior, desenvolvendo projetos que exploram os limites entre Arte e Arquitetura.

Neste trabalho, o artista ocupa a galeria embaixo da clarabóia do MuBE, trazendo o elemento escultórico da luz para dentro do museu. Busca também instigar o público a prestar atenção ao sol e à todas as suas atribuições numa cidade que, apesar de bastante verticalizada, pouco olha para cima e percebe a luz natural.

Caecilia Tripp é artista nascida em Frankfurt que trabalha e reside em Paris. Realizou exposições em varias cidades da Europa e Estados Unidos (New Orleans, New York, Berlin, Moscou, Genebra, Amsterdam e Bruxelas) explorando toda sorte de suportes da imagem, na SPMA ela apresenta a solidariedade orgânica da periferia na video-arte  Mad Dog.

Djan Ivson é vídeo artista, pixador e idealizador dos ataques recentes realizados nas últimas Bienais de São Paulo mobilizando grande polêmica na mídia.

Tais proezas promoveram sua inserção em exposições marco como a “Né dans la Rue” na Fundação Cartier (Paris 2009), e mais recentemente no convite para participar da 7ª Bienal de Berlin, que acontece este ano com o desafio de atingir criticamente o próprio sistema das Bienais pelo mundo.

No MuBE ele apresentara o vídeo que acompanhou todo o processo da intervenção na obra Bandeira Branca de Nuno Ramos na 29ª Bienal de 2010. Nela realiza uma cobrança de coerência conceitual com os pressupostos que inauguram a instalação: a desmaterialização do objeto artístico, a assimilação de outra obra como suporte para sua criação e a declaração de Duchamp de que “o livre arbítrio de todo e qualquer artista determinava se uma obra era em si uma obra de arte, ou não”. O Pixo é arte em contexto, processual, que requisitou uma exigência de correspondência entre o discurso e as práticas artísticas quando atacou a “Bandeira Branca”.

Paulo Ito é paulistano, formado em Artes Visuais pela Unicamp, e pintor com intervenções urbanas por toda cidade, famoso pelo desenho de corpos deslumbrantes inspirados em Egon Schiele, e por criar trabalhos com os olhos vendados, onde a expressão possui conexões diretas com as camadas mais profundas da subjetividade.

Sua obra na exposição é um grande painel com a técnica da pintura cega, trazendo de memória as expressões que sua mão assimilou da experiência com a cidade.

Rogério Canella é fotógrafo formado pela FAAP, e iniciou seu trabalho no ano de 1998 registrando objetos obsoletos e locais em transformação. Sua obra é a manifestação contundente da velocidade vertiginosa de destruição e reconstrução da paisagem urbana. Na SPMA apresenta os subterrâneos da construção do Metrô da linha 4, num empreendimento hercúleo que perfura a alma da cidade e revela a solidão deste bastidor sem platéia.

Xavier Faltot é francês, um artista mutante, utilizando-se de múltiplos suportes midiáticos para se expressar, criador de programas de rádio em que monta o Studio “La Controverse” nas ruas, e na SPMA realizou a vídeo-arte que sintetiza a reunião deste grupo de artistas.

No MuBE ele reapresentara sua vídeo-arte, onde todos os artistas da primeira edição de 2009 escolhem um lugar significativo de São Paulo para abarcar sua diversidade espacial e histórica e são filmados para a composição das imagens e das palavras que traduzem a experiência nesta cidade.

Via @MuBE

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