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sexta-feira

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novembro 2011

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Na Cinemateca Brasileira ocorre, entre 9 e 12 de novembro, o Simpósio “A pós-produção criativa”

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cinemateca

São Paulo (SP) – Desde meados dos anos 1950, o termo “pós-produção” tem sido aplicado para descrever as etapas da produção audiovisual que se iniciam após todas as imagens e sons terem sido filmadas ou gravadas, o que inclui a edição destas imagens e sons, a mixagem da trilha sonora, a adição de músicas e efeitos especiais, o ajuste de cores, a divulgação, distribuição ou transmissão etc. Essas etapas finais da produção sempre foram tão criativas e decisivas para o resultado de um produto audiovisual quanto as outras que as precedem. Mas a revolução da tecnologia digital em curso nos últimos anos mudou drasticamente a maneira como os filmes são pós-produzidos. Como resultado, o caráter autoral da criação cinematográfica tem se tornado cada vez menos exclusivo de roteiristas e diretores – ele depende agora, mais do que nunca, dos profissionais envolvidos nas etapas de pós-produção do processo de realização cinematográfica. O advento de novas ferramentas digitais para edição e manipulação de imagens e sons – que estão emergindo, desenvolvendo-se e tornando-se obsoletas com inacreditável velocidade desde o final dos anos 1990 – promoveu uma mudança de paradigma no que diz respeito à pós-produção audiovisual, aumentando a importância da montagem e da finalização para o resultado final de um filme.

Idealizado e coordenado por Maria Dora Mourão, presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca e professora de montagem no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, e por Roger Crittenden, montador de cinema e televisão e professor da National Film and Television School, na Inglaterra, o SIMPÓSIO A PÓS-PRODUÇÃO CRIATIVA, uma realização da Cinemateca Brasileira em parceria com a ABC – Associação Brasileira de Cinematografia, com apoio institucional do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA-USP e do CILECT – Centre International de Liaison des Ecoles de Cinéma et de Télévision, tem por objetivo discutir e analisar essas mudanças trazidas pelas novas ferramentas digitais às etapas de pós-produção audiovisual. De modo a atingir tal objetivo, o SIMPÓSIO apresenta uma palestra de abertura sobre o papel criativo dos montadores, ministrada por dois profissionais com ampla experiência na área, além de seis debates que reúnem renomados profissionais e teóricos brasileiros e estrangeiros para discutir os muitos aspectos específicos desse assunto. Cada uma das mesas de debate estará focada em um tema particular e em sua ligação com a pós-produção: montagem, edição de som, música, edição de documentários, roteiro, cinematografia e restauração. Na abordagem de cada tema, a ênfase recairá tanto sobre os aspectos tecnológicos quanto sobre o caráter criativo das tarefas desempenhadas pelos profissionais envolvidos na pós-produção audiovisual. Todas as atividades do simpósio contarão com tradução simultânea INGLÊS-PORTUGUÊS e PORTUGUÊS-INGLÊS e serão transmitidas ao vivo, via streaming, por meio de link disponível no site da Cinemateca Brasileira.

CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207

próximo ao Metrô Vila Mariana

Mais informações: 11-3512-6111 (ramal 215)

www.cinemateca.gov.br

ENTRADA FRANCA

INSCRIÇÕES:

 As inscrições para as atividades do SIMPÓSIO podem ser feitas gratuitamente a partir do dia 1o de novembro mediante o envio para o endereço de e-mail inscricao@cinemateca.org.br das seguintes informações: nome completoprofissão,data de nascimentonúmero do R.G. e telefone. Não haverá pré-seleção: as inscrições serão confirmadas de acordo com a ordem de chegada dos e-mails, até que se completem as 200 vagas disponíveis. Interessados que não realizarem inscrição podem participar de qualquer uma das atividades do evento, desde que haja assentos disponíveis. Serão conferidos certificados de participação aos inscritos que comparecerem a, pelo menos, cinco das sete atividades do SIMPÓSIO.

PROGRAMA E CONVIDADOS:

09.11 | QUARTA, 20h00

PALESTRA DE ABERTURA – O Papel criativo do montador

Desde pelo menos os anos 1960, o caráter autoral de um filme tem sido visto como resultado do trabalho de roteiristas e diretores. Entretanto, não é verdade que o sucesso de um filme também depende da contribuição criativa de todos os outros profissionais envolvidos na realização da obra? Dentre estes, poucos desempenham um papel tão importante e decisivo quanto os editores. É na ilha de edição que as imagens e sons captados finalmente são combinados para construir uma narrativa. É por meio da colaboração do editor que um filme ganha sua estrutura narrativa final, seu ritmo e sua atmosfera. Nesta palestra de abertura, dois profissionais com vasta experiência na área partilham um pouco de seu conhecimento e ajudam a compreender a verdadeira natureza e importância da contribuição criativa de editores para o resultado final de um produto audiovisual.

ROGER CRITTENDEN (editor de cinema e televisão inglês, professor da NFTS)

EDUARDO ESCOREL (editor e diretor brasileiro, professor da Fundação Getúlio Vargas)

10.11 | QUINTA, 10h00

MESA 1 – Montagem clássica versus montagem não-clássica

Na realização cinematográfica, sempre coexistiram duas abordagens possíveis para o trabalho dos montadores. A mais comum delas é aquela que podemos chamar de “clássica”, tradicional, ou narrativa, focada principalmente em narrar uma história de maneira direta, tornando-a tão linear e inteligível quanto possível. Esta é a abordagem utilizada pela maioria dos montadores quando trabalhando dentro dos limites do cinema comercial e industrial. De outra feita, montadores trabalhando em filmes experimentais, independentes ou simplesmente não-convencionais sempre recorreram a uma abordagem diversa, mais intuitiva, menos preocupada com clareza e persuasão, para dar aos seus trabalhos um aspecto distinto. Isto é o que podemos chamar de montagem não-clássica, livre ou moderna. Nesta mesa, as diferenças e semelhanças entre estas duas abordagens serão discutidas por montadores com experiência em ambas. O debate se propõe a opor os padrões tradicionais de narrativa e montagem a formas mais livres de edição e estruturas narrativas menos padronizadas, enfatizando a forma como estas atitudes foram afetadas pela emergência das novas tecnologias de edição digital.

YANN DEDET (diretor e montador francês, professor da escola La FEMIS)

ROBERTO PERPIGNANI (montador italiano, professor do Centro Sperimentale di Cinematografia)

MARIA DORA MOURÃO (professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo)

10.11 | QUINTA, 14h30

MESA 2 – Montagem e pós-produção no cinema documentário

Lidando essencialmente com fatos, o cinema documentário guarda particularidades relativas ao seu processo de concepção, produção e finalização que não podem ser ignorados. Será possível que estes procedimentos específicos também tenham sido transformados pelas novas tecnologias digitais envolvidas nas etapas de pós-produção da realização de documentários? Se o montador desempenha um papel criativo no resultado de qualquer filme, como se dá esta contribuição em se tratando de retratar a realidade? Teria o amplo acesso a arquivos fílmicos, bem como as infinitas possibilidades oferecidas pela captação em mídias digitais de imagens e sons do mundo, alterado a maneira como os montadores de documentários desempenham sua tarefa? Tomando estas questões como ponto de partida, esta mesa tem por objetivo discutir aspectos relevantes dos procedimentos de montagem e pós-produção no caso específico da produção de filmes documentários.

DAVID CHARAP (montador inglês de cinema e televisão)

EDUARDO ESCOREL (diretor e montador brasileiro, coordenador do curso de pós-graduação em Cinema Documentário da Fundação Getúlio Vargas)

VÂNIA DEBS (montadora e professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo)

11.11 | SEXTA, 10h00

MESA 3 – Cinematografia na era da pós-produção digital

Se há profissionais envolvidos na produção audiovisual cujas ferramentas de trabalho têm mudado – e continuam mudando – praticamente a cada dia, estes profissionais são aqueles ligados à cinematografia. Formatos de vídeo digital em constante mudança, suportes de mídia digital que são criados e se tornam obsoletos quase simultaneamente, câmeras mais novas, sofisticadas e leves, 4K, 3D, a decadência da película (e depois dos discos e das fitas)… Tornou-se praticamente impossível manter-se atualizado com os avanços na tecnologia de gravação de imagens em movimento. Nesta mesa, será apresentado um panorama dos últimos desdobramentos desse avanço, assim como comentários a respeito de equipamentos e formatos recentemente lançados ou ainda em desenvolvimento. Além disso, a mesa busca discutir o papel de diretores de fotografia neste cenário atual, em que a tecnologia digital permite aos realizadores deixar uma série de decisões relativas aos aspectos visuais de seus filmes para as etapas da pós-produção.

CESAR CHARLONE (diretor de fotografia uruguaio filiado à ABC – Associação Brasileira de Cinematografia)

CURTIS CLARKE (presidente do Instituto Tecnológico da ASC – American Society of Cinematoghaphers, nos Estados Unidos)

JOSÉ FRANCISCO NETO (engenheiro eletrônico e supervisor de pós-produção filiado à ABC – Associação Brasileira de Cinematografia)

11.11 | SEXTA, 14h30

MESA 4 – Cinematografia e restauração digital

Assim como todos os demais aspectos do trabalho audiovisual na era digital, a arte e ciência de preservar, restaurar e catalogar filmes está passando por mudanças profundas em seus procedimentos tradicionais. As novas ferramentas que permitem que filmes sejam digitalizados, armazenados e difundidos nos forçam a reexaminar o papel e o modus operandidos acervos audiovisuais na era digital. Uma das principais conseqüências destes avanços está na possibilidade que as tecnologias digitais têm oferecido para que o aspecto visual de um filme seja trabalhado durante o seu processo de restauração. Centrando-se nestes novos processos e tecnologias envolvidos na restauração digital de filmes antigos, que têm se provado úteis na recuperação – e, em muitos casos, alteração ou recriação – da cinematografia original de uma obra audiovisual, esta mesa propõe um debate com especialistas no assunto, com o objetivo de oferecer uma introdução em profundidade às questões ligadas à aplicação da tecnologia digital à realidade dos profissionais envolvidos em restauração e preservação da memória da produção audiovisual.

DAVIDE POZZI (restaurador italiano do Laboratório L’Immagine Ritrovata da Cineteca de Bologna)

LAURO ESCOREL (diretor de fotografia, membro da diretoria da ABC– Associação Brasileira de Cinematografia)

PATRICIA DE FILIPPI (coordenadora do Laboratório de Imagem e Som e diretora da Cinemateca Brasileira)

12.11 | SÁBADO, 10h00

MESA 5 – Som e música na era da pós-produção digital

Na realização audiovisual, ainda que o som seja, em geral, gravado diretamente, no momento das filmagens, a efetiva junção da imagem ao som só costuma acontecer nas etapas de pós-produção do processo. Nos primórdios da arte, isto era uma conseqüência da impossibilidade de gravação do som e da imagem no mesmo equipamento. Dali por diante, tornou-se uma maneira de permitir aos profissionais de com desempenar sua função com independência em relação à captura das imagens. É também nas etapas finais de sua realização que um filme ganha sua trilha sonora musical, ainda que a mesma tenha sido composta há muito tempo. Assim, indubitavelmente, o papel desempenhado pelo som e pela música num filme é algo geralmente apenas definido na pós-produção. Esta mesa tem por objetivo discutir questões ligadas ao uso contemporâneo do som e da música na produção audiovisual digital, tais como a integração da faixa de áudio ao filme como um todo, o papel narrativo dos efeitos sonoros e da música, os novos problemas de direitos autorais suscitados pela digitalização de arquivos musicais e a contribuição criativa de sound designers, editores de som e compositores para o resultado final de uma obra audiovisual.

LARRY SIDER (montador, sound designer e co-fundador da School of Sound, em Londres, Inglaterra)

ANNABELLE PANGBORN (compositora, sound designer e professora da National Film and Television School, na Inglaterra)

ANTONIO PINTO (compositor de trilhas sonoras brasileiro)

EDUARDO SANTOS MENDES (editor de som, sound designer e professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo)

12.12 | SÁBADO, 14h30

MESA 6 – A palavra escrita versus o corte final: roteiro e montagem

Do momento em que existe apenas nas páginas escritas pelo roteirista até o seu corte final, pelas mãos do montador, um filme geralmente sofre diversas mudanças profundas. De tal modo que é legítimo indagar: o trabalho do montador sempre altera o que foi escrito no roteiro? É possível que um filme termine sendo exatamente aquele que o roteirista idealizou? As escolhas narrativas são privilégio de roteiristas e diretores ou elas também são feitas na ilha de edição? Estas questões estão no centro do debate promovido por esta última atividade do simpósio. Reunindo roteiristas e editores de diferentes nacionalidades e trajetórias, esta mesa tem por objetivo abordar a relação entre a versão escrita e o corte final de um filme, enfatizando o papel criativo do montador, que frequentemente pode mudar a estrutura original do roteiro ao alterar a ordem de seqüências, subdividir cenas e aplicar outros procedimentos de edição capazes de modificar o fluxo da narrativa.

ROGER CRITTENDEN (montador de cinema e televisão, professor da National Film and Television School, na Inglaterra)

MICK AUDSLEY (montador e roteirista britânico de cinema e televisão)

SYLVIA INGEMARSDOTTER (montadora sueca, colaboradora de Ingmar Bergman, professora da Högskolan Dalarna e da Norwegian Film School)

LUIZ BOLOGNESI (roteirista brasileiro de cinema e televisão)

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