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sábado

27

agosto 2011

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“O cérebro global é a internet”, afirmou Pierre Lévy em encontro com o cantor Gilberto Gil no OI Futuro

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pierre levy gilberto gil

No último 25 de agosto, Pierre Lévy e Gilberto Gil se reuniram no OI Futuro para dicutir a temática “O poder da palavra na cibercultura”. O filósofo da cultura digital partiu da constatação de que o cérebro global já é uma realidade. É a própria internet que conecta todas as pessoas. Os computadores e hiperlinks, nessa dinâmica, são os neurônios e sinapses desse cérebro global. Para Lévy, um dia todos poderão dar significados e inserir suas emoções à lógica numérica que compõe os sistemas operacionais. “O cérebro global já existe: é a internet. O que precisamos computadorizar são significados e contextos e, assim, criar a inteligência coletiva”, afirmou.

Foto: OGlobo

Dessa forma o professor de origem tunisiana apresentou sua proposta para uma internet centrada nos sentidos, para além dos dados físicos. Como ponto de partida, ele se centrou em três aspectos: o crescimento do poder de computação, o aumento da capacidade das bandas de transmissão e o aumento da capacidade de registro. “Nossa memória é potencialmente infinita e temos o poder de explorá-la”, explicou. Também acrescentou: “Nós temos a computação lógica, mas não a computação semântica. E é isso que eu quero inventar!”. Assim, Lévy propõe pensar para além das “URLs” e Https”, refletindo uma nova possibilidade de endereçamento na internet: a web semântica. “Precisamos inventar um sistema simbólico criado para a computação de conceitos”. Para tal o teórico criou o USL (Localizador Semântico Universal, em português), um sistema de endereçamento para metadados criados pelo conceito, pelo afeto. Contudo, novo endereçamento não poria fim na internet tal como a conhecemos. Basta recordar que “a escrita não eliminou a linguagem oral, então é um aumento”. O ciberespaço é uma criação progressiva de camadas: primeiro os bits; segundo as redes, terceiro os dados/links. A próxima camada de endereçamento, prevista por Lévy para 2015 aproximadamente, seria a dos conceitos, as conexões entre ideias, um localizador semântico.

Indagado sobre como a internet semântica poderia mudar o processo de aprendizagem, Pierre Lévy explicou: “A exploração da memória será muito ampliada para o aprendizado e haverá uma forma diferente de raciocínio com a utilização desse novo sistema”. Deixando a abstração de lado, ele buscou dar exemplos mais concretos. A partir da comparação da Humanidade às formigas, simplificou: “Digamos que, no ciberespaço, nós somos apenas formigas nos comunicando e o resultado é uma espécie de inteligência coletiva que já existe. Agora, elas serão capazes de abrir asas e enxergar todos os trabalhos das formigas”. O ex-ministro Gilberto Gil mostrou ter gostado da exemplificação e recordou uma canção: “Formiga que quer se perder cria asas. Deixa de viver na rua e vem pra dentro de casa”.

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