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segunda-feira

17

janeiro 2011

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Obras de artistas brasileiros e estrangeiros, em exposição no Oi Futuro, discutem a tecnologia no mundo contemporâneo

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exposicao oi futuro

O Oi Futuro apresenta a exposição “High Tech/Low Tech – Formas de produção“, com obras de 20 destacados artistas brasileiros e estrangeiros que discutem o conceito de tecnologia, seus processos, suas promessas e malefícios. Com curadoria de Alfons Hug, a mostra reúne esculturas, performances, fotografias e vídeos. “A arte contemporânea assumiu uma posição perfeitamente ambivalente em relação à máquina. Enquanto a máquina foi projetada para a reprodutibilidade mecânica e sistemática de processos, a arte destaca a unicidade e o gesto artesanal”, diz Hug. O patrocínio é da Oi e da Secretaria de Estado de Cultura, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro.

Os artistas convidados para a exposição são os brasileiros Alexandre Vogler, Mariana Manhães, Adriana Barreto, Kátia Maciel/André Parente e Vicente de Mello; e os estrangeiros Ricarda Roggan, Harun Farocki e Mark Formanek (Alemanha); Ali Kazma (Turquia); Laurent Gutiérrez/Valérie Portefaix (Hong Kong); Zhou Tao (China); Michel de Broin (Canadá), Chris Larson (EUA); Desire Machine Collective (Índia); Chen Chieh- Jen (Taiwan); Libia Posada (Colômbia); Dinh Q. Lê (Vietnã); George Osodi (Nigéria); Roman Signer (Suíça); e Tirzo Martha (Curaçao).

A fachada do Oi Futuro será coberta pelo trabalho inédito de Vicente de Mello, criado especialmente para o espaço. Com 10,40m x 11,90m e impressa em lona, “Atrack Fractal”, da série “Quantas Asas têm um Pixel?”, é uma imagem do teto do Teatro Santa Isabel, no Recife. A montagem de uma situação negativa, invertida e rebatida, cria uma sensação gráfica futurista como um efeito espacial anacrônico, em desacordo com os recursos atuais em tecnologia, como 3D, HD etc. “A base é low e o efeito é tech”, explica o fotógrafo.

“A união de arte e tecnologia, presente no DNA do Oi Futuro, abre espaço à convergência de linguagens e a novas formas de fazer e pensar a arte contemporânea. Tudoavercomapropostada exposiçãoHighTech/LowTech-FormasdeProdução,diz Maria Arlete Gonçalves, diretora de cultura do Oi Futuro.

Para o curador, Alfons Hug, “provavelmente nunca na história houve uma defasagem tão grande entre alta e baixa tecnologia como hoje, onde as mais diversas formas de produção podem ser encontradas simultaneamente. A gama abrange desde a área espacial e telecomunicação até as culturas nômades, desde o agronegócio até as tradicionais sociedades rurais que produzem quase que exclusivamente para consumo próprio“. Hugh lembra que o termo tecnologia, conforme sua raiz grega, “não só expressa uma determinada habilidade, como por exemplo, no artesanato ou nas belas artes, mas também uma forma humana de lidar com o mundo“.

Helicópteros despencam, cadeira é movida por foguetes e um carro é movido a pedaladas

Artistas de diferentes continentes têm interesses e abordagens diversas a respeito da questão tecnológica. O alemão Harun Farocki registra em vídeo o processo de fabricação de tijolos em vários países da África e da Europa. Enquanto em alguns locais isso se dá de forma completamente artesanal, com a participação de toda a comunidade, de velhos a crianças, em outros vemos uma fábrica 100% automatizada. O turco Ali Kazma extrai imagens vigorosas e impactantes de uma siderúrgica onde não se percebe a presença humana. Gutiérrez e Portefaix, dupla de artistas/arquitetos que mora em Hong Kong desde 1996, esmiuça em vídeo uma fábrica têxtil moderna no sul da China. O impressionante vídeo do vietnamita Dinh-Q.Lê traz helicópteros que despencam, um a um, no mar. A alemã Ricarda Roggan recria em seu estúdio fotográfico escritórios governamentais da extinta Alemanha Oriental, com cadeiras, mesas, armários e outros objetos encontrados em edifícios públicos abandonados. O suíço Roman Signer faz a irônica videoperformance onde sua cadeira de escritório rodopia impulsionada por foguetes. O americano Chris Larson mostra em vídeo uma precária cabana em pleno círculo polar ártico, onde se produz gelo com uma maquinaria de madeira. O canadense Michel de Broin inventa um automóvel que tem como propulsão o pedalar dos passageiros. Ruínas industriais são um tema bastante apreciado pelos artistas, como o grupo indiano Desire Machine Collective, que nos apresenta um verdadeiro cenário de ocaso industrial, ou o artista de Taiwan Chen Chieh-Jen, em seu vídeo com operárias exaustas em uma fábrica têxtil desativada. O nigeriano George Osodi faz uma projeção de mais de 100 fotos que mostram homens, mulheres, jovens e crianças trabalhando em uma mina ilegal de ouro em Obuasi, Gana, colocando em risco sua saúde e provocando graves danos ambientais. A colombiana Libia Posada discute em vídeo a automatização do ser humano, em uma sequência mecanizada de marionetes. O chinês Zhou Tao também mostra o ser humano como uma máquina automatizada em seu vídeo sobre os exercícios motivacionais em vários locais de trabalho em Xangai.

No vídeo “O Menor Espaço para O Corpo” (2’38), de Adriana Barreto, uma bailarina marca no chão pontos onde vai pisar, estabelecendo uma trilha em que assinala o menor espaço que um corpo pode ocupar no solo. Os artistas Alexandre Vogler e Mariana Manhães trabalham com material barato ou precário e criam máquinas- esculturas orgânicas, que não têm objetivo funcional, mas poético.

“A máquina nos permite cobrir as maiores distâncias em poucos instantes. A supressão acelerada de todas as distâncias por meio da tecnologia, seja o avião, a TV ou a telefonia celular, não traz por si só a proximidade, pois proximidade não implica pouca distância“, afirma Alfons Hug. “Quanto mais a indústria da alta tecnologia ficar propensa a acidentes – pensemos apenas nas constantes falhas dos computadores, no incidente espetacular na plataforma de petróleo no Golfo do México ou no acidente nuclear no Japão – tanto mais o artista aposta na baixa tecnologia“.

O projeto gráfico da exposição é de Heloisa Faria (19 Design), e a instalação dos vídeos e iluminação está a cargo de Samuel Betts (Belight).

SERVIÇO:


High Tech/Low Tech – Formas de Produção

Abertura: 16 de janeiro de 2012, às 19h

Visitação pública: 17 de janeiro a 1o de abril

Local: Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo, Rio de Janeiro Terça a domingo, das 11h às 20h
)

Entrada franca / Classificação etária: Livre

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