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quarta-feira

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maio 2012

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Paço Para Ver apresenta Imagem-performace: entre a figuração e a sugestão

Escrito por , Postado em Destacadas, Eventos, Exibições, Exposições

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O Paço das Artes inaugurou o espaço Paço Para Ver, destinado a projeções e exibições de vídeo. Para comemorar, dá início à mostra de vídeos Imagem-Performace: Entre a Figuração e a Sugestão, sob curadoria de Patrícia Moran. Serão exibidos trabalhos de Bartolomeo Gelpi, Carlos Monroy, Pedro Motta, Paulo Almeida, Wagner Morales, Rodrigo Torres, Michel Zózimo, Walter Gam e Daniel Caballero.

Imagem-performance: entre a figuração e a sugestão

(Por Patricia Moran)

Os vídeos selecionados aconteceram como registro de performances concebidas para serem projetadas ao vivo. Trazemos estes vídeos-documentos, que recuperam instigante discussão sobre se criar uma memória de trabalhos, cujo ponto de partida é a presença do realizador e do público no momento da apresentação. Como bem coloca Ana Carvalho, pesquisadora sobre a documentação destas poéticas, a performance audiovisual, “define-se por sua singularidade como manifestação artística, pois o momento em que se dá não pode ser substituído pela documentação”. Então porque apresentar a memória destes eventos como objetos de trabalho em si?

Duas motivações nos conduziram a esta escolha. A primeira refere-se ao interesse de expor a diversidade e riqueza poética de performances que aconteceram em locais e condições distintas. Por ora, não teríamos outro recurso para trazê-las ao público aqui presente. Se elas perdem a singularidade do encontro, pois são um registro, se elas têm um ritmo definido a priori em função do público e espaço original, trazem a quem nunca as viu as marcas de terem sido realizadas em tempo real. Os erros e escolhas circunstanciais, a presença do público, e o próprio ritmo da imagem impresso nas imagens se referem a um momento único. Algumas destas performances foram apresentadas poucas vezes, outras nunca chegaram ao Brasil – assim, a possibilidade de ampliar-se o público destes trabalhos pouco vistos é uma oportunidade para organizar repertórios audiovisuais produzidos em culturas e condições materiais bastante diversificadas.

A outra justificativa para se utilizar a documentação como material expositivo relaciona-se a um traço poético que atravessa os trabalhos. Eles fazem da imagem especular matéria para a produção de intensidades diversificadas e, com este recurso, deslocar um suposto e potencial sentido ali presente. As imagens gráficas por sua vez, tendem a sugerir através do seu movimento e forma acontecimentos do mundo material. Sendo assim, estamos em uma rua de mão dupla, onde a abstração tende à sugestão e a figuração produz movimento contrário.

Esta documentação visa em última instância compor um painel de trabalhos úteis a futuros pesquisadores e amantes de experimentações audiovisuais. 

Performers em single channel

O vídeo single channel morreu, vida longa a ele. Estes vídeos têm em comum terem sido criados por realizadores que priorizaram nos últimos anos a realização de performances audiovisuais ao vivo. As narrativas e videoclipes selecionados são emblemáticos por trazerem marcas da poética das performances, de recursos técnicos consolidados nas performances que migram para outras formas expositivas. É evidente a diversidade de estratégias expressivas, ou seja, as peças aqui apresentadas extrapolam as proposições das performances, mas podemos pensar que renovam o vídeo ao colarem seus princípios à imagem, à sua modificação como ponto de partida.   É da imagem que surgem conceitos e intensidades. A imagem na variedade de tempos, formas e texturas advindas da sua manipulação, ao trazer sucessivas situações faz de si acontecimento. Não busca falas para dizer, mas mostra situações. Assim, estamos diante de duas estratégias, da imagem auto-centrada produzindo intensidades e da imagem espetacular que nos oferece tempo para varrer sua superfície e reconhecer situações.

Saiba quais vídeos serão exibidos

Suonoma e Art ify, de Mia Makela

Natural da Finlândia, esta pesquisadora e artista vive em Barcelona com passagens anuais por Berlim. Também conhecida como Solu, realiza experimentos audiovisuais desde o final da década de 80.  Performance audiovisual em tempo real, vídeo experimental e documentários são os campos de ação desta artista que apresentou trabalhos e palestras em diversos países.

Emergência, de Chico de Paula

Natural de Belo Horizonte. Poeta, músico, performer e artista visual. Trabalha em diversos suportes, com foco na pesquisa de linguagem. Foi fundador e integrante do FEITOAMAOS e do Combo de Artes Afins Bananeira Ciência. Desenvolve performances, espetáculos intermidiáticos, instalações e conteúdos audiovisuais interativos para Museus.

Tempestade, de Thomas Klotzel

Vive entre São Paulo e Porto Alegre, sua terra natal. Como artista multimídia, seu processo passa pelo cruzamento de diferentes linguagens artísticas, como a literatura. Suas histórias são necessariamente depoimentos, criados a partir de percepções próprias sem compromisso com o mundo concreto e material, mas comprometidas com sentimentos reais.

Músicos, de VJ Ovídeo

Boris Dulon, também conhecido como Borobros, é natural de Santa Fé, Argentina. Em 1999. se radica em Barcelona onde cria uma interface de expressão artística chamada Opendesktop, que atualmente utiliza em suas performances como VJ Ovídeo. Tem participado em diversos festivais internacionais. O trabalho aqui apresentado busca a conjunção de imagens estáticas e dinâmicas, espécie de colagem em movimento. Busca a criação de um mural com vida carregado de anedotas.

LOGO X NO_LOGO, de Lucas Bambozzi

Artista multimídia, documentarista e curador. Trabalha em meios diversos, como vídeo, cinema, instalação e mídias interativas. Seus trabalhos já foram exibidos em  mostras em mais de 40 países. Professor da pós-graduação do SENAC-SP, concluiu seu MPhil junto ao CAiiA-STAR Centre/i-DAT na Universidade de Plymouth (Inglaterra), e dedica-se à exploração crítica de novos formatos de mídia independente. É um dos coordenadores e curadores do arte.mov Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis. Seu trabalho problematiza a comunicação e arte contemporâneas.

Train, de Herman Kolgen

Conhecido por suas criações multimídia, denomina-se escultor audiocinético. Constantemente explora em seu trabalho a junção de diferentes mídias. Seu trabalho tem o poder de mostrar o etéreo e o invisível a olho nu. Cria e apresenta performances com compositores eletrônicos e eletroacústicos. Apresentou-se nos mais importantes festivais internacionais, como o Ars Eletrônica, Sonic Acts, Tapei Digital Arts, Sonar, Bienal de Veneza, entre outros.

I love China, de Alexandre Gwaz

Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Ao longo de sua carreira vem realizando filmes experimentais de curta metragem como A obscena senhora, a partir da obra de Hilda Hilst, Corpo de Tudo e O Que Existia Antes do Bem e do Mal. Sempre com parceiros na criação. Apresenta performances audiovisuais em eventos de poesia, arte e ativismo.

Marginália II, de Embolex

Vivem e trabalham em São Paulo. Um dos primeiros coletivos a integrar a cena de VJs, o Embolex já circulou o mundo com seus trabalhos pautados principalmente pelo remix. Filmes como A mulher de todos (de Rogério Sganzerla) e Bang-Bang (de Andrea Tonacci) foram não apenas remixados, mas refilmados.  O coletivo é presença constante nos principais festivais de performance ao vivo no Brasil.

Acidente, de Fernando Velázquez

Uruguaio radicado em São Paulo, Fernando lança mão de diversas linguagens de programação para produzir suas paisagens. Seu filme Vida Artificial 11 foi premiado pela Fundação Telefônica, em Madri (Espanha). Além de performances audiovisuais ao vivo, cria vídeos, quadros e diversos trabalhos entre design e arte.

Storm , de Luiz Duva

Nascido e criado em São Paulo. É artista experimental no campo da videoarte, performance e novas mídias desde o início dos anos 1990. Na última década, vem se dedicando ao live images, termo por ele cunhado para designar a manipulação de imagens e sons em tempo real em ambientes imersivos. Duva também é um dos criadores e o diretor artístico da Mostra Live Cinema, que acontece anualmente no Brasil desde 2007.

Representa Corisco, de Ricardo Cançado

Natural de Belo Horizonte, atualmente vive em Barcelona. Também conhecido como VJ Eletro-I-Man, representa  Corisco, Oxossi e Macunaíma, personagens da  cultura brasileira que nos remetem a uma herança de resistência política e a uma busca constante da identidade brasileira. Trabalha com diversas técnicas, como o 3D, motion graphics e pintura. Organiza em Barcelona o festival Visual Brasil.

Brillant City, de D_Fuse

Coletivo formado por artistas baseados em Londres (Inglaterra), cujo fundador e diretor é Michael Faulkner.  A investigação teórica e sistematização histórica é um dos talentos destes designers que também criam e produzem vídeo. Participaram dos mais importantes festivais ao longo do mundo. Michael editou o livro audiovisual art +vj culture.

Poder e About Comunication, de Robson

Natural do Mato Grosso, vive em São Paulo. Designer, trabalha com motion graphics, vídeo-cenário, mapping e como VJ. A base de seu trabalho é o remix. Integrante dos United VJs, participou em diversos festivais internacionais e já representou o Brasil no VJ Torna. Cria e desenvolve vídeo-cenários para diversos programas televisivos os do canal Multishow.

Systematic illusion. The subtle technique in an Earthquake Detector Construction, de Ana Carvalho

Natural do Porto, com interesses entre várias áreas do conhecimento, seus projetos evidenciam o processo como expressão artística. Textos, livros, fotografias, instalações e performances audiovisuais são resultados de sua atuação com componente colaborativo, em projetos teóricos e práticos como o blog VJ Theory, curadorias, entre outros. É professora no curso de Ciências da Comunicação da Universidade Fernando Pessoa, Porto. Faz doutorado sobre a documentação e construção de memória das performances audiovisuais.

The Nature e Play Time, de Eduardo Zunza

Vive e trabalha em Belo Horizonte. Diretor de cinema e vídeo, além VJ, trabalha com a criação de ambientes digitais através da manipulação de imagens em tempo real. Diretor de diversos trabalhos com músicos como Mauricio Tizumba, Fernanda Takai, Chico Amaral, Flávio Henrique, Marina Machado, entre outros.

Digitaria, de Spetto

Vive em São Paulo. Desenvolveu o VisualRadio, aplicativo para manipulação de imagens ao vivo.  Amante das pistas, trouxe para o Brasil eventos como o VJ Torna. Com Pedro Zaz, já venceu um VJ Torna na Hungria. Produziu cursos com desenvolvedores internacionais de softwares com o projeto de ensino VJ University. Produz eventos e cria mappings com o grupo United VJs.

Tosco Street View, de Marcus Bastos

Doutor em Comunicação e Semiótica e professor da PUC São Paulo. Desenvolveu trabalhos online como os projetos com GPS coexistências (2009) e Kandinsky by Perdizes (2008), com o grupo LAT-23. É editor da revista online Arte.Mov, publicada desde 2006 no contexto do Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis – Vivo Arte.Mov, do qual foi curador da segunda e terceira edições.

The irrationality of the square root of 2, de Hol

Henrique Roscoe é artista digital, músico e designer. Atua na área audiovisual desde 2004. Em 2008 iniciou um novo projeto generativo chamado Hol, com o qual já se apresentou nos principais festivais de performances ao vivo como FILE, ON_OFF, Live Cinema, Multiplicidade, KinoLounge, FAD e no exterior, na Itália (LPM), Suíça (Mapping Festival) e Bolívia (Dialectos Digitales). É um dos curadores e idealizadores do FAD – Festival de Arte Digital de Belo Horizonte, onde vive.

Serviço

Imagem-Performace: Entre a Figuração e a Sugestão

Paço das Artes (Av. da Universidade, 1, São Paulo)

De 07 de maio a 01 de julho de 2012

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