TecnoArteNews

Notícias sobre cultura e arte contemporânea

terça-feira

19

fevereiro 2013

0

COMENTÁRIOS

Seminários Internacionais Museu Vale 2013 discute trama das redes

Escrito por , Postado em Destacadas, Encontros, Eventos

Museu Vale recebe, em Vila Velha/ES, conferencistas nacionais e internacionais que discutirão a importância das redes na cultura do século 21 e sua relação com a arte e a comunicação contemporâneas. Em sua oitava edição, o evento acontece de 13 a 17 de março. As inscrições são gratuitas e já podem ser feitas, exclusivamente, através do site www.seminariosmv.org.br.

seminarios-internacionais-museu-vale-2013

Mais que um fenômeno, as redes tornam-se importantes espaços de discussão e mobilização social. A explosão das novas tecnologias criou um sem-número de possibilidades de interação humana e diluição do tempo, sem falar em outras tantas formas de representar a arte.  A relação entre tecnologia, arte e cultura, que fascina artistas, estudiosos e especialistas, foi o tema escolhido pelo Museu Vale para a oitava edição dos Seminários Internacionais Museu Vale, que este ano tem por título “Cyber-arte-cultura: a trama das redes”.

Para refletir sobre temas tão contundentes e que envolvem tanta gente no mundo, a curadoria buscou formar um time de palestrantes bastante diversificado. Logo, o evento conta com as participações de Lev Manovich, Simon Biggs, Cora Ronai, Giselle Beiguelman, Ivana Bentes, André Lemos, Erick Felinto, Diana Domingues, Gilbertto Prado, Rodrigo Savazoni, Eduardo de Jesus, André Parente.

Programação:

13 DE MARÇO

ABERTURA   das 19h às 21h

“Cyber-Arte-Cultura: A trama das redes”Erick Felinto

Hackers, enxames e distúrbios eletrônicos: erro e ruído como fundamentos para uma poética das redes

A emergência das redes digitais acarretou transformações significativas não apenas nos paradigmas tecnológicos correntes, senão também nas estruturas sociais e culturais. Com o declínio das formas modernas de organização social, presenciamos a ascensão de novas ontologias relacionais e novos processos artísticos que se coadunam com a cultura das redes. Tomando como referência central a reflexão do filósofo Vilém Flusser, este trabalho busca analisar a importância das noções de erro e ruído nos processos informacionais, culturais e artísticos da contemporaneidade.

Lançamento do livro: “Sobre Desejos e Cidades”

14 DE MARÇO

MESA 1   das 15h às 18h

Palestrantes: Eduardo Jesus e Ivana Bentes

Em torno da comunicação e da arte na contemporaneidade, com Eduardo Jesus

O atual regime tecnológico traz novos desafios para pensarmos a produção artística contemporânea percebendo seus aspectos históricos e os circuitos que se configuram e se entrecruzam.

CONFERÊNCIA 1  das 19h às 21h

Palestrantes: André Lemos

A comunicação das coisas. Internet das Coisas e Teoria Ator-Rede

O objetivo do artigo é investigar o campo de desenvolvimento da Internet das Coisas (Internet of Things – IoT). Essa nova área da cultura digital coloca os objetos em posição de ação e mediação infocomunicacional, automatizando processos por meio de sensores, atuadores e redes telemáticas. As coisas/objetos tornam-se capazes de interagir e de comunicar entre si e com o meio ambiente através do intercâmbio de dados em qualquer lugar do planeta. As coisas reagem de forma autônoma aos eventos do “mundo real / físico” e podem influenciá-los por processos sem intervenção humana direta.

Vamos explorar a nova dimensão da “comunicação das coisas” mostrando como uma mudança nos tipos e qualidades dos objetos tem implicação direta nas formas associativas entre humanos e não humanos. Essa mudança merece ser investigada já que ela revela dimensões importantes da vida social contemporânea. Pensando o social como o resultado das associações, devemos identificar o que muda nas diversas áreas da vida quotidiana (lazer, comércio, indústria, vigilância, sociabilidade…) quando objetos comuns passam a “conversar” e a “agir”, engajando-se em ações com outros objetos (humanos e não humanos) através da comunicação digital em rede. A pergunta é: que social emerge dessa comunicação das coisas?

15 DE MARÇO

MESA 2   das 15h às 18h

Palestrantes: André Parente e Rodrigo Savazoni

Tramas da rede: enredando o pensamento da arte, com André Parente

A noção de rede vem despertando tal interesse nos trabalhos teóricos e práticos de campos tão diversos como a ciência, a tecnologia e a arte, que temos a impressão de estar diante de um novo paradigma, ligado, sem dúvida, a um pensamento das relações em oposição a um pensamento das essências. Se quisermos entender o mundo em que vivemos, qualquer que seja o domínio considerado, devemos pensar sobre a noção de rede: a rede se tornou uma dimensão, indissociavelmente ontológica e prática, de modelização do mundo e da subjetividade.  Mas se elegemos a figura da rede como principal metáfora para entendermos algumas transformações em curso na arte contemporânea, é, antes de mais nada, porque não podemos compreender o que seja arte independente das redes de mobilização em que eles circulam como tal.

A onda rosa-choque, com Rodrigo Savazoni

Um ensaio sobre as transformações políticas operadas pelos coletivos e agrupamentos que atuam nas redes e nas ruas, tomando como ponto de partida a articulação #ExisteAmoremSP, que marcou o processo eleitoral municipal de São Paulo. O festival/ato que ocorreu na praça Roosevelt foi uma demonstração de força das redes político-culturais, esse fenômeno recente que tem se espalhado pelo mundo determinando transformações na forma e no conteúdo da democracia. O ensaio também trata da experiência da Casa da Cultura Digital, um dos coletivos que é expressão das redes político-culturais no Brasil.

CONFERÊNCIA 2  das 19h às 21h

Palestrantes: Gilbertto Prado

Projetos recentes do Grupo Poéticas Digitais

O Grupo Poéticas Digitais foi criado em 2002, no Departamento de Artes Plásticas da ECA-USP, com a intenção de gerar um núcleo multidisciplinar, promovendo o desenvolvimento de projetos experimentais e a reflexão sobre o impacto das novas tecnologias no campo das artes. O grupo é um desdobramento do projeto wAwRwT iniciado em 1995 e tem como participantes professores, artistas, pesquisadores e estudantes. O objetivo desta comunicação é apresentar algumas experimentações recentes como Desluz (2009/10), Amoreiras (2010/12) e Encontros (2013).

16 DE MARÇO

MESA 3   das 11h às 14h

Palestrantes: Diana Domingues e Giselle Beiguelman

Vida na rede: caixa de pandora biocíbrida, com Diana Domingues

Este ensaio sobre o tema vida na rede, fundamentado em teorias e desenvolvimento tecnológico de criações em arte e ciência, é de natureza retrospectiva e prospectiva, desde o aparecimento da www, nos anos 90, até pesquisas com inovações tecnológicas recentes. Resgata produções realizadas em web art e enfatiza o uso da rede vinculado ao espaço físico com a noção de lugar em net-based installations e eventos, que recuperam e ampliam o caráter artístico e museológico da arte e tecnologia. Chega-se, no final do texto, à arte e tecnociência em sua forte dimensão antropológica existencial. A www por permitir a inclusão de sinais biológicos, com os sistemas enativos afetivos que denominamos biocíbridos, possibilita nos projetos recentes a reengenharia da vida por dispositivos de expansão do sensorium e nos de reengenharia da natureza, a atender problemas da biodiversidade em geografias afetivas e paisagens enfermas, bem como nas plataformas sociais ativa-se uma reengenharia da cultura por softwares sociais. Assim, apresentam-se projetos que não se limitam à noção primeira de ciberespaço como virtual, discute-se netbased installations que recuperam a noção de lugar em mistura do espaço de dados com o espaço físico, e homologa-se a existência colocada no ciberespaço, no espaço de dados, misturados a processamento de sinais biológicos, entrando para tipo de vidas com sistemas biocíbridos afetivos. São questões que impulsionam artistas e cientistas a inovações tecnológicas e que respondem à humanização das tecnologias no século XXI.

Arte pós-virtual: criação e agenciamento no tempo da Internet das Coisas e da próxima natureza, com Giselle Beiguelman

Fomos “ciborguizados” pelos celulares, uma espécie de ponto conexão permanente que expande nossos corpos para além do aqui e nos insere em um tempo de eterno agora. Telas de diferentes portes e com novos recursos remodelam as noções de espaço doméstico e privacidade. Aplicativos de Realidade Aumentada (RA) inserem camadas de informação no ambiente urbano e redefinem o espaço público.  Os materiais dos objetos que nos rodeiam são fruto de equações químicas, e as pessoas são remodeladas em centros cirúrgicos que nos transformam em compostos de botox, silicone, carne e sangue. A qualquer momento teremos nosso DNA disponível no Google. Nossa comida nasce em laboratórios, e os cientistas nos prometem um mundo povoado de clones e novos seres artificiais. Vivemos mediados por redes sociais, como Twitter e Facebook, e a internet é um dos palcos privilegiados de mobilização política. Não há dúvida. A era do virtual ficou na primeira década do século. O real engole tudo e nos põe no centro de redes interconectadas acessíveis, literalmente, na palma da mão. A arte e o design respondem a esse contexto com propostas que tensionam crítica e criativamente o processo de digitalização da cultura em todos os seus níveis.

CONFERÊNCIA 3  das 15h às 17h

Palestrantes: Simon Biggs

Um aparato em evolução

A linguagem, em todas as suas formas, é uma tecnologia fundamental para definir o humano. O que seríamos sem a linguagem? Existiríamos no sentido pelo qual nos percebemos? Conseguiríamos refletir sobre a nossa existência de uma forma estruturada, capazes de nos diferenciarmos, de diferenciarmos os outros e as coisas? Saberíamos o que querem dizer nossas vontades e sentimentos? Teríamos uma cultura reconhecível e existiríamos no que poderíamos identificar como sociedade? Conforme propôs McLuhan, a linguagem ampliou o ser humano e facilitou nossa evolução. Somos tão profundamente um produto da linguagem quanto a linguagem é um produto nosso.

O computador mudou a linguagem tão profundamente quanto o fizeram a escrita e a tipografia. Como máquina simbólica, um sistema de signos que opere reflexivamente sobre si mesmo e se modifique, tanto repassando quanto criando significado, o computador representa uma nova modalidade linguística. Nós logo o adotamos como companheiro pessoal, como extensões de nós mesmos. Muitos, inclusive, estamos conectados virtualmente com a máquina e a possibilidade de uma conexão física está sendo explorada por artistas e cientistas. O computador, como sistema de linguagem, já se tornou parte de nós, e nós nos tornamos parte dele.

Um desdobramento significativo da computação, que nos permitiu enxergar seu potencial explicitamente representado, foi a convergência da computação com a infraestrutura de telecomunicações para criar a internet. Com o desenvolvimento do protocolo de transferência de hipertexto e sua combinação de computação e comunicação, testemunhamos o rápido e proteico surgimento da web, um meio que, em pouquíssimo tempo, já açambarcou, ou está perto de açambarcar, praticamente todos os meios que vieram antes. A web não é só o meio dominante de nossa era como também está se tornando um tecido de nossa sociedade, tanto instrumental quanto culturalmente.

Dada a relação entre a ontologia humana e a linguagem, a rede também pode ser considerada uma chave para a formação de nossa identidade pessoal. Quais são as implicações de se viver numa cultura hiperconectada saturada de meios? Nesse contexto, consideraremos a obra de artistas que, em primeira instância, nos permitem enxergar como o computador e a rede podem ser concebidos e que, em segundo lugar, nos oferecem visões das implicações dessas tecnologias para a identidade individual e coletiva e o que agora podemos identificar como o aparato homo-técnico.

17 DE MARÇO

MESA 4  das 11h às 14h

Palestrantes: Cora Rónai e Marcelo Tas

Não, os livros não vão acabar, com Cora Rónai

O fim do livro em papel, que vem sendo vaticinado há algum tempo, está longe de acontecer, até porque nem todos os livros são iguais. Alguns, como as obras de referência, estão com os dias contados. Outros, que são objetos primorosos, serão fabricados, comprados e apreciados ainda por muitos e muitos anos.

A trama das redes, com Marcelo Tas

Na entrevista concedida ao jornalista Gilberto Dimenstein, Marcelo Tas relata as suas experiências com a cibercultura, tecendo um panorama não só de sua relação com a trama das redes, mas também do desenvolvimento do mundo digital. Desde que descobriu o computador em 1988, até os dias atuais, Marcelo Tas indica, nessa entrevista que deu origem ao livro É rindo que se aprende, o que sempre orientou os seus interesses, seja no Rá-Tim-Bum, no Telecurso ou no CQC: a interseção da comunicação com a educação e o mundo digital.

CONFERÊNCIA 4  das 15h às 17h

Palestrantes: Lev Manovich

Serviço:

“Arte-cyber-cultura: a trama das redes”

Seminários Internacionais Museu Vale – VIII Edição

Data: de 13 a 17 de março de 2013
Local: Museu Vale
Endereço: Antiga Estação Pedro Nolasco s/no – Argolas – Vila Velha – ES
Telefone: 55 (27) 3333– 2484
Horários:

Dia 13, das 19 às 21h
Dias 14 e 15, das 15 às 18h e das 19 às 21h
Dias 16 e 17, das 11 às 14h e das 15 às 17h
Inscrições gratuitas: a partir das 8h do dia de fevereiro 18, exclusivamente através do site www.seminariosmv.org.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>