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quarta-feira

20

fevereiro 2013

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Vencedores do VIDA 14.0 – Concurso Internacional Arte e Vida Artificial

Escrito por , Postado em Concursos, Destacadas, Eventos

vida-14.0-fundacao-telefonica

A Fundação Telefônica, durante os últimos catorze anos, vem premiando projetos artísticos desenvolvidos com meios tecnológicos que oferecem questões inovadoras para a investigação sobre a vida artificial. Na edição do prêmio VIDA 14.0 – Concurso Internacional Arte e Vida Artificial, foram vencedores os projetos e artistas:

1. º Lugar

Pigeon D’Or

Tuur van Balen (Bélgica)

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O artista e desenhador Tuur Van Balen explora em Pigeon D’Or o ecossistema urbano através da busca de uma plataforma biotecnológica ideal para explorar a complexidade deste entorno e as relações que existem entre seus habitantes.

Por meio do uso de novas técnicas da biologia sintética, Pigeon D’Or desenvolve uma rede de relações bioquímicas entre uma série de bactérias e o metabolismo das pombas urbanas. Com colaboração do cientista James Chappell, o artista recorre às possibilidades da técnica de biobrick para a montagem de blocos genéticos estandarizados que condicionem uma resposta concreta no metabolismo das aves. Um dos “biotijolos” reduz o PH do lactobacilo, um agente gastrointestinal que se dá de maneira natural, e o outro provoca a expressão da enzima lipase com propriedades digestivas.
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Ambos biotijolos são utilizados para criar alimento bacteriano para as pombas, o que determina que as aves excretem sabão biológico. A alteração cultural expressa no comportamento das aves, dada sua nova condição biológica, passa de ser agentes poluidores a se transformar em genuínos agentes higienizadores.

2º Lugar

Irracional computing

Ralf Baecker (Alemania)

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Os cinco módulos que formam esta instalação sutil explicitam as qualidades e processos ocultos de cristais semicondutores como o silício, o quartzo ou o carboneto de silício que fazem funcionar a tecnologia informática de transistores e circuitos integrados. Baecher aproveita as propriedades físicas de tais cristais para gerar um processador de macro sinais rudimentar e os mostra em quantidade suficiente como para evidenciar que são matérias primas.
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Esse gesto já é potente por si só, porque a cristalização que vai da escala geológica massiva às nanopartículas constitui um campo de estudo extenso e atrativo, e além disso, todos os cristais se associam com a beleza das pedras preciosas. Os materiais cristalinos de Baecher em Irrational Computing se extraem da natureza ou de resíduos industriais, ou se cultivam especificamente para a obra.

Na obra de Baecke, um cristal de carbureto de silício se ilumina em numerosos pontos graças à estimulação elétrica. O impulso eletrônico que recorre o cristal modifica sua superfície, provocando reverberações microscópicas que se amplificam e emitem através de uns alto-falantes. Um campo de cristais de sal da Rochelle ressoa em um bucle de retroalimentação graças a um efeito de uma peça elétrica e emite sons e luzes oscilantes (estas segundas em LEDs), enquanto outro campo se processa como portas lógicas e gera um som que flutua constantemente. Ao se miniaturizar-se e permanecer fechados em caixas pretas, esses componentes cristalinos, na realidade onipresentes no mundo, tendem a permanecer ausentes do imaginário coletivo.

3º Lugar

May the horse live in me

AOO/Art Orienté Objet: Marion Laval-Jeantet y Benoît Mangin (Francia)

May the horse live in me Art Oriente Objet 01

O desejo de compreender o comportamento dos animais e a relação que com eles adquirimos como humanos é um debate constante na nossa cultura. E esse é um dos temas centrais aos quais se dedicaram o duo de artistas Marion Laval-Jeannet y Benoît Mangin (Art Orienté Object) durante sua trajetória artística. Ao longo dos anos tem buscado expresar, através de suas obras, um modo próprio de aproximação com os domínios da psicologia animal, a biologia do comportamento e a etologia.

Em May the horse live in me desenvolvem um experimento que compreende a aplicação de técnicas clínicas no corpo da artista para contribuir e revelar a essência da comunicação entre espécies. Preparando-se para o experimento, Art Orienté Object passaram anos ligados a um sistema científico/médico que investiga a possibilidade de curar doenças autoimunes por meio do uso de imunoglobulinas como “recordações” terapeuticas. No decorrer de vários meses, Laval-Jeannet recebeu injeções de certas imunoglobulinas de tecido de cavalo e desenvolveu tolerância a esses anticorpos de sangue animal.

May the horse live in me Art Oriente Objet 02

Devido à tolerância adquirida, a artista recebeu uma última injeção diante do público em fevereiro de 2011, durante uma performance que ocorreu na Galeria Kapelica de Liubliana. O plasma do cavalo pode entrar em sua corrente sanguínea e combinar-se com seu próprio sangue sem causar-lhe nenhum dano. Em seguida a artista subiu em umas palafitas semelhantes às patas do cavalo para concluir o ritual de vinculação com o animal.

Confira, ainda, no site VIDA 14 / Fundación Telefónica, os projetos que receberam Menção Honrosa e Incentivo de produção

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