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quarta-feira

17

abril 2013

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Conversas com Curadores e Críticos de Arte

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CCCC_capa_apresentacao_2013-03-04“Conversas com Curadores e Críticos de Arte” - Eles são jovens – a maioria está na casa dos 30 – mas já estão entre os mais respeitados curadores e críticos de artes no Brasil. Nascida após a falência do Modernismo, essa nova geração tem uma atuação expressiva no circuito da arte contemporânea brasileira. Mas de onde eles vêm? Como lidam com as referências herdadas? Que novas proposições elaboram? Como enxergam a arte hoje? Essas foram algumas questões que levaram o escritor Renato Rezende e o historiador e crítico de arte Guilherme Bueno ao projeto do livro “Conversas com curadores e críticos de arte”, que será lançado pela Editora Circuito, no dia 17 de abril, às 19h, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. A edição foi feita com patrocínio do Governo do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura – Rio de Janeiro – Edital Artes Visuais 2011. No lançamento, haverá um debate com Renato Rezende, Guilherme Bueno e as críticas de arte Glória Ferreira e Clarissa Diniz.

O livro resulta de uma série de entrevistas feitas por Renato e Guilherme com 14 jovens críticos de arte: Carlos Cassundé, Cauê Alves, Clarissa Diniz, Cristiana Tejo, Daniela Labra, Felipe Scovino, Fernanda Lopes, Gabriela Kremer Motta, Janaína Melo, Luisa Duarte, Marcelo Campos, Marisa Flórido, Orlando Maneschy e Sergio Martins. A ideia dos organizadores foi mostrar que existe, sim, um pensamento articulado e original na arte contemporânea, refutando os clichês da ausência de critérios ou de vale-tudo. Outro objetivo foi discutir com os entrevistados o significado de uma década (ou quase) de atuação, tanto do ponto e vista pessoal com suas convicções e dúvidas, quanto das transformações do cenário artístico.

A pesquisa mostrou que os novos críticos têm muito em comum. Segundo Renato, o que mais chama a atenção é a vitalidade enorme das novas cabeças e o respeito pela produção do artista: “Eles têm um olhar generoso diante de uma nova obra, de um novo artista. São jovens cheios de experiências, mas abertos a aprender, a trocar informações e a abrir novas oportunidades de trabalho, inclusive entre eles próprios. Sem rivalidades.” Mas, que fique bem claro: isso não significa falta de critério. “Não pense que toda essa camaradagem e espírito de colaboração são consequências de um olhar ingênuo. De jeito nenhum. Eles têm fundamento, tem critérios, tem profundidade, são todos muito bem preparados”, explica Guilherme.

E por que atuam assim? Segundo Renato, eles começaram a trabalhar quando o Modernismo já tinha ficado para trás: “O pensamento comparativo do Modernismo caiu e é por isso que as pessoas acham que a arte contemporânea não tem critério. Tem critérios, mas eles não são critérios excludentes. Pelo contrário, é um grande leque de possibilidades que eles mesmos vão criando. É um pensamento muito amplo, muito aberto”. Para Guilherme, eles têm também uma visão diferente da arte produzida no Brasil: “Pensar a arte como identidade nacional não é mais a ordem do dia, como foi no Modernismo”.

Outro ponto em comum revelado nas entrevistas é a indeterminação entre os papeis de curador e crítico de arte. Só uma minoria entre eles separa essas fronteiras. É como se o processo de profissionalização desses profissionais permitisse uma “promiscuidade” entre o papel de crítico, curador, professor, artista – ou seja, diferentes pontas do circuito –, mais rara em outros contextos. “Encontramos tanto autodidatas como profissionais com uma sólida formação acadêmica”, conta Renato. Entretanto, suas principais referências são praticamente as mesmas no Brasil: Mário Pedrosa, Paulo Herkenhoff, Paulo Sergio Duarte, Glória Ferreira, Ronaldo Brito… Com informações fundamentais para artistas e estudiosos de arte contemporânea, o livro insere-se como material primário para a compreensão da prática crítica e curatorial recentes.

Críticos de arte entrevistados:

Carlos (Bitu) Cassundé (Várzea Alegre, CE, 1976)

Cauê Alves (São Paulo, 1977)

Clarissa Diniz (Recife, 1985)

Cristiana Tejo (Recife, 1977)

Daniela Labra (Santiago do Chile, 1974)

Felipe Scovino (Rio de Janeiro, 1978)

Fernanda Lopes (Rio de Janeiro, 1979)

Gabriela Kremer Motta (Pelotas, 1975)

Janaína Melo (Belo Horizonte, 1974)

Luisa Duarte (Rio de Janeiro, 1979)

Marcelo Campos (Rio de Janeiro, 1972)

Marisa Flórido (Rio de Janeiro, 1962)

Orlando Maneschy (Belém, 1968)

Sergio Martins (Rio de Janeiro, 1975)

SERVIÇO

Lançamento do livro “Conversas com Curadores e Críticos de Arte”

Organizadores: Guilherme Bueno e Renato Rezende

Nº de págs.: 365

Editora: Circuito

Participantes do debate: Renato Rezende, Guilherme Bueno, Glória Ferreira e Clarissa

Diniz

Data: 17 de abril de 2013

Hora: 19h

Local: Escola de Artes Visuais do Parque Lage – Rua Jardim Botânico, 414 – Rio de Janeiro – www.eavparquelage.rj.gov.br

Tel.: (21) 3257-1812

Entrada franca

AUTORES:

Guilherme Bueno é historiador e crítico de arte, leciona na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e no Instituto de Artes da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Doutor em artes visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi professor colaborador da Escola de Belas Artes da instituição (EBA/UFRJ) e membro da equipe editorial da revista Arte & Ensaios. Dirigiu a Divisão de Teoria e Pesquisa do Museu de Arte Contemporânea de Niterói e integrou diversas comissões de júri da Funarte e de outras instituições no Brasil. Com artigos e ensaios sobre arte moderna e contemporânea brasileira e internacional publicados em variadas revistas, livros e catálogos, é autor do catálogo Mapa de agora: a recente arte brasileira na coleção João Sattamini (Instituto Tomie Othake, 2002) e co-autor, com Franz Manata, do CD-Rom Cronologia da arte brasileira, século 20 (Funarte, 2005).

Renato Rezende é mestre em Arte e Cultura Contemporânea pelo Instituto de Artes da UERJ, autor de Ímpar (Lamparina, 2005, Prêmio Alphonsus de Guimaraens da Fundação Biblioteca Nacional), Guilherme Zarvos por Renato Rezende (Coleção Ciranda da Poesia, EDUERJ, 2010), Coletivos (com Felipe Scovino, Circuito, 2010), No contemporâneo: arte e escritura expandidas (com Roberto Corrêa dos Santos, Circuito/FAPERJ, 2011) e Experiência e arte contemporânea (organizado com Ana Kiffer e Christophe Bident, Circuito/CAPES, 2012). Entre suas principais realizações como artista visual estão o projeto MY HEART, em parceira com Dirk Vollenbroich, montado na Fundação Baldreit, em Baden-Baden, Alemanha, em 2010, e no Instituto Oi Futuro em janeiro 2011; e o poema visual Eu posso perfeitamente mastigar abelhas vivas (Oi Futuro, Ipanema, Rio de Janeiro, maio-julho 2010). Em 2012 foi contemplado com a Bolsa Funarte de Estímulo à Produção Crítica em Artes Visuais.

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