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quarta-feira

25

abril 2012

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Mobile learning: novas tecnologias para uma forma revolucionária de aprendizagem

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Ensino 2.0: Novas tecnologias, aliadas à proliferação de dispositivos móveis, abrem caminho para uma forma revolucionária de aprendizagem: o mobile learning.

Durante séculos, e em tudo que é canto do planeta, a estrutura hierárquica entre professores e alunos se manteve inalterada, rígida, e acabou entranhando no próprio processo educativo, com raríssimas exceções. Mas, neste início de século XXI, o que era sólido vem tomando outras formas e não deve demorar muito para a ideia que temos de sala de aula passar por mudanças radicais e a própria aprendizagem se tornar uma intensa via de mão dupla. Curiosamente, os dispositivos móveis (tablets, iPads, smartphones e celulares), grandes inimigos dos professores – por seu poder dispersivo –, estão entre as ferramentas que terão papel fundamental nesse novo estado das coisas.

“Não é justo que, em um mundo em rede, tenhamos de aprender com as metodologias de sempre. O m-learning [mobile learning] oferece a possibilidade de gerar conhecimento coletivo, de transformar educadores e alunos em verdadeiros produtores de conteúdo, apoiados em tecnologias de criação e publicação”, conta o colombiano radicado no Brasil Martín Restrepo, que fundou, no ano de 2008, em sociedade com Érica Casado, a Editacuja, editora que trabalha com projetos educacionais e de produção cultural. “Desde então, nós nos aprofundamos no mundo do mobile learning e nas possibilidades de, com apoio de dispositivos móveis, fazer de qualquer lugar uma sala de aula.

O campo para tal empreitada é gigantesco. Atualmente, no Brasil são 242,2 milhões de dispositivos móveis – o que torna o país o 5º maior mercado de mobilidade no mundo. Todo esse potencial fez com que Restrepo, ex-engenheiro eletrônico, lançasse em fevereiro deste ano a Mobile Education Lab (MEL), primeira comunidade colaborativa de projetos educacionais com dispositivos móveis da América Latina, durante o Mobile World Congress (da GSMA), em Barcelona.

“Cada dispositivo móvel tem suas oportunidades e limitações. Se pensamos em um celular básico, ele possui SMS, voz e recursos multimídia. Só com esses elementos posso desenhar atividades educacionais. Se cogitamos smartphones, temos a possibilidade de trabalhar com aplicativos, internet, mas neles não é possível colocar um conteúdo muito extenso, a linguagem tem de ser outra. Com tablets, pelo tamanho das telas, consigo desenvolver livros interativos, com objetos em 3D, animações, infográficos e recursos que podem ser inseridos nas minhas publicações, motivando sempre o estudante a produzir conteúdo”, exemplifica Restrepo. A parte mais complexa da história está em explicar como aplicar essa tecnologia no dia a dia de novas práticas de ensino, enquanto se qualifica professores para utilizá-las.

O grande desafio, no entanto, não diz respeito apenas à tecnologia em si, mas, sim, à aceitação e ao envolvimento das instituições de ensino. “Tudo depende do DNA da escola. Por isso ela deve se preparar para mudar junto com as inovações que nos acompanham hoje”, acredita Restrepo. Algumas instituições espalhadas pelo país estão começando a inserir tablets no material escolar, entre elas o Colégio Bandeirantes (São Paulo), o Centro Educacional Sigma (Brasília) e o Colégio Ari de Sá (Fortaleza). Mas é o Lourenço Castanho, de São Paulo, o pioneiro na utilização do m-learning.

O diretor-geral do colégio, Alexandre Abbatepaulo, afirma que o interesse do Lourenço Castanho surgiu da “possibilidade de usar as novas tecnologias móveis como recurso didático”. Outra questão fundamental foi a ideia da mobilidade, por meio da qual se pode ensinar e aprender em qualquer local. “Será mais uma opção de recurso didático que, se bem utilizada, contribuirá para aproximar o ensino da realidade dos jovens”, afirma.

Fábia Antunes, professora do colégio Lourenço Castanho, fez o curso de capacitação em m-learning e foi surpreendida para além de suas expectativas. “As aulas serão mais interessantes e significativas para os alunos e o trabalho interdisciplinar será mais viável. Especificamente para a minha disciplina [educação física], acredito que essa variedade de recursos multimídia trará mais reflexão sobre as práticas corporais na vida cotidiana”, acredita.

A ideia não é substituir os livros e o ensino tradicional por uma infinidade labiríntica de aplicativos, mas utilizar a tecnologia como material complementar, um reforço necessário para um mundo novo de múltiplas possibilidades. Pegando a mesma onda, o Ministério da Educação iniciou o processo de licitação para a compra de 600 mil tablets que deverão ser distribuídos no segundo semestre a professores da rede pública urbana de ensino médio – todos de olho numa realidade cada vez mais colaborativa. Restrepo, por exemplo, tem um sonho: “Imagino uma escola que vá além dos próprios muros, se torne o centro da comunidade e se abra ao público, na qual a produção de conhecimento, conteúdo e atividade faça parte de um imenso repositório coletivo, baseado na cocriação, na colaboração e na aprendizagem em rede. Temos hoje a grande oportunidade de reinventar a educação e a mobilidade está se tornando estratégica para que tudo isso aconteça”, conclui.

* Texto de Dafne Sampaio. Ilustração de Liane Iwahashi. Publicado em Continuum, Itaú Cultural.

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