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terça-feira

15

maio 2012

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Público x Privado: Fotos de Carolina Dieckmann nua nunca serão completamente eliminadas da internet

Escrito por , Postado em Destacadas, Notícias

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No dia 04 de maio, uma série de fotos de Carolina Dieckmann nua vazaram na internet. Um grupo de hackers do interior de São Paulo e Minas Gerais são acusados de invadirem, através de ‘spam’ (softwares que capturam os arquivos dos computadores invadidos), a caixa de e-mails enviados da atriz.

Em pouco tempo, as fotos que eram de domínio privado passaram a público. Como recuperar o estado de privado das fotos? Essa é uma grande questão. Na prática, em casos como o de Carolina Dieckmann, ficam completamente eliminadas as fronteiras entre o público e o privado.

Uma das tentativas do advogado da atriz, Antônio Carlos de Almeida Castro, foi exigir que o Google retirasse as imagens de seu motor de busca, para que a intimidade de Carolina não ficasse tão evidenciada. O Google Brasil se manifestou sobre o caso, alegando não exercer qualquer tipo de interferência em seus resultados de busca. Em nota explicou que “o mecanismo de busca do Google é um indexador, ou seja, uma ferramenta que procura conteúdos disponíveis na Internet. Para que um conteúdo não apareça na busca do Google, é necessário entrar em contato com o site que hospeda esse conteúdo e solicitar sua remoção”

O caso de Carolina Dieckmann não é certamente o primeiro. Entre famosas que já tiveram suas imagens em situações de intimidade publicadas ilegalmente na Rede estão Kim Kardashian, Rihanna, Miley Cyrus, Vanessa Hudgens, Pamela Anderson, Britney Spears, Daniela Cicarelli, Scarlett Johansson. Também não apenas atrizes e cantoras são vítimas desse tipo de situação. Muitos já tiveram sua privacidade invadida, com fotos íntimas publicadas na internet.

No entanto, abre novamente o debate sobre as fronteiras entre o público e o privado. De acordo com Thiago Tavares, presidente da SaferNet, organização não governamental de defesa dos direitos humanos na rede, as fotos de Dieckmann nua “nunca” poderão ser completamente eliminadas da Rede.

“Essas fotos já se perpetuaram na rede. Fizemos um levantamento que mediu a propagação em apenas um pedaço da internet, uma fatia da rede, que é a web. Além disso, as imagens estão salvas em centenas de milhares de HDs. Não tem mais como voltar a ser privado”, afirmou Tavares, em entrevista.

A SaferNet analisou as imagens disponibilizadas pelo buscador Google para a palavra “Carolina Dieckmann”. Ainda na última terça-feira, 8 de maio, as fotos da atriz nua tiveram pelo menos 8 milhões de acessos em diferentes computadores. A pesquisa trazia 1,5 milhão de fotos, das quais 50 mil eram cópias iguais ou modificadas das imagens vazadas do e-mail da atriz.

O levantamento também mostrou que as fotos foram distribuídas em 211 domínios, 113 provedores e 23 países de todo o mundo. A maioria dos sites está hospedado nos Estados Unidos, ainda que sejam feitos por brasileiros e mantidos aqui.

A organização afirma em nota que é impossível remover todas as imagens da internet. “Infelizmente as 36 fotos vazadas não pertencem mais à intimidade do casal, mas sim ao acervo público de imagens disponíveis na rede”, diz a nota.

De fato, os dados chamam a atenção para o fim dos limites entre o público e o privado na internet. Ainda que o fato tenha se constituído em crime a ser investigado e julgado, o que antes era privado, agora é de domínio público.

Os dados publicados pela SaferNet são assustadores e ainda não levam em consideração a propagação em outros serviços da internet, tais como redes de compartilhamento de dados, BitTorrent, e-mails, além de cópias das imagens em computadores, celulares e colecionadores de pornografia no Brasil e no mundo. Ah, e agora ganhando as ruas, já que parece que as fotos já estão à venda em banca de camelô no Centro do Rio de Janeiro, segundo coluna de Ancelmo Gois, do jornal “O Globo”, deste domingo (13).

Denúncias de crimes informáticos, envolvendo a divulgação de fotos, vídeos e textos proibidos pela legislação brasileira, aumentaram 40% no mês anterior, em relação ao mesmo período de 2011. Segundo dados da SaferNet, no ano passado foram 3.310 denúncias, contra 4.632 neste. Rodrigo Nejim, especialista alerta que, nessa dinâmica do público e do privado, é preciso ter muito cuidado quanto ao comportamento na internet, que deve ser baseado em conduta de responsabilidade. Vítimas de crimes cibernéticos podem solicitar a retirada de sites do ar, mas até que se consiga a eliminação do material, muitas outras pessoas podem já ter feito cópias do conteúdo.

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