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sexta-feira

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julho 2011

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“Eco-Net”, refletindo sobre a formação de uma “Ecologia das redes” na era da conectividade

Escrito por , Postado em Próxima Natureza

eco-net

Eco-Net é um trabalho desenvolvido no Institute for Digital Intermedia Arts. Trata-se de uma tentativa de conectar dados de rede sem fio com a natureza, desde a visualização desses dados como uma planta, em sua estrutura e movimentos orgânicos. Cada planta representa um computador conectado à rede e cada endereço IP é exibido acima da planta correspondente. O que se exibe é a atividade da rede coletiva, conforme os sites são navegados e e-mails são enviados.

Através da simulação de estruturas de plantas e raízes, este projeto artístico sugere o nosso estado de conexão contínuo, bem como a constante enxurrada de dados que flui através do “ar” em torno de nós todos os dias. Projetos artísticos como Eco-Net, leva-nos a seguinte conclusão: na era da conectividade, vivemos a ecologia das redes.

“A conectividade é um dos recursos mais poderosos da humanidade”, afirmou Derrick De Kerckhove (Inteligencias en Conexión, 1999). “O acesso pessoal ao mundo global possibilita a coletividade”. Em outras palavras, as tecnologias vem tecendo as redes de nossas relações cotidianas, obrigando-nos a reorganizarmos nosso “estar” e nosso “sentir” no mundo, nossa relação com o outro e com o nosso entorno.

Nossa cultura se sustenta na noção de rede, noção esta que atravessa todas as esferas da sociedade: redes topográficas, cognitivas, sociais, biológicas, tecnológicas, redes de transporte… Organizamo-nos em rede. Segundo o sociólogo Castells (2008), mais do que ser líquida esta é uma sociedade em que tudo está articulado e conectado de forma transversal, diluindo os sistemas hierárquicos. Estamos em um mundo global em que é cada vez mais difícil manter as pessoas fechadas em sua própria cultura. As fronteiras do real e do virtual se dissolvem e a mobilidade e o nomadismo se tornam concretos.

O sugestivo título do artigo da artista e pesquisadora Giselle Beiguelman publicado na edição número zero da Revista Select nos revela que já estamos inseridos nessa nova ecologia das redes. “O fim do virtual”, afirmou. “Falar do fim do virtual (…) significa assumir que as redes se tornaram tão presentes no cotidiano e que o processo de digitalização da cultura é tão abrangente que se tornou anacrônico pensar na dicotomia real/virtual. O mundo da Internet das Coisas já se anuncia no presente, prevendo que todos os objetos do cotidiano estarão conectados.”

De fato, chegará o momento em que corpos, mentes e objetos estarão completamente interconectados. E não há dúvidas que pensar sob este prisma implica refletir sobre como esta cultura de conexão generalizada influi diretamente tanto na nossa relação com o tempo e o espaço, como na percepção de nós mesmos, nossa relação com os demais e com o nosso entorno. Parafraseando Gianluca Giansante, no seu artigo Três conselhos para se tornar social, não basta “estar” nessa ecologia das redes, mas é preciso uma mudança de mentalidade sobre “fazer” parte dessa nova ecologia. Isso significa pensar como o estar na era da conectividade transforma a nossa natureza e nos possibilita viver novas formas de comunidades caracterizadas pelo compartilhamento e distribuição de informações.

No entanto, deve-se dizer que aqui apenas introduzimos uma discussão. A nova ecologia das redes é algo ainda mais complexa do que podemos imaginar.  Porque, além de apontar para uma sociedade interconectada, pressupõe também uma interconexão de relações entre sujeitos humanos e não humanos. Nesse sentido, implicará pensar também os impactos da biotecnologia, por exemplo. Embora o surgimento de uma “cultura biotech” seja algo ainda pouco pensado, porque seja algo “aparentemente” muito distante (a cultura das redes é algo muito mais próximo de nós), artistas que produzem bioarte já vem propondo a formação dessa ecologia que compreende humano e não humanos (animais, máquinas e seres antes inexistentes na natureza) todos interconectados em redes de relacionamentos cada vez mais complexas.

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